Goiás

Estado de Goiás

SAIBA MAIS…
unidades federativas da República Federativa do Brasil. Situa-se a leste da Região Centro-Oeste, no Planalto Central brasileiro. O seu território é de 340.086 km², sendo delimitado pelos estados de Tocantins (norte), Bahia (nordeste), Mato Grosso (oeste), Mato Grosso do Sul (sudoeste), Minas Gerais (leste e sul) e pelo Distrito Federal. Tem por capital a cidade de Goiânia.Com quase seis milhões de habitantes é o estado mais populoso do Centro-Oeste. Em 2005 era o nono estado mais rico do país.[carece de fontes?]

O topônimo Goiás (que antes da última reforma ortográfica era escrito Goyaz) tem origem na denominação de uma comunidade indígena. Guaiá, composto de Gua e , significa “indivíduo igual”, “pessoas de mesma origem”.

Geografia

Relevo

O estado de Goiás está localizado no coração do Planalto central brasileiro, entre chapadas, planaltos, depressões e vales.

Há bastante variação de relevo no território goiano, onde ocorrem terrenos cristalinos sedimentares antigos, áreas de planaltos bastante trabalhadas pela erosão, bem como chapadas, apresentando características físicas de contrastes marcantes e beleza singular. As maiores altitudes localizam-se a leste e as sul, onde encontram-se na Chapada dos Veadeiros, com elevações acima de 1.200 metros,cujo o ponto mais elevado é o pico Pouso Alto, com 1784 metros de altitude, na Serra dos Cristais (1.250 metros) e na Serra dos Pireneus (1.395 metros). As altitudes mais baixas ocorrem especialmente no oeste do estado.

Clima

O clima é tropical semi-úmido. Basicamente, há duas estações bem definidas: a chuvosa, que vai de outubro a abril, e a seca, que vai de maio a setembro.

A média térmica é de 23ºC, e tende a subir nas regiões oeste e norte, e a diminuir nas regiões sudoeste, sul e leste. As temperaturas mais altas são registradas entre setembro e outubro, e as máximas podem chegar a até 39°C. As temperaturas mais baixas, por sua vez, são registradas do entre maio e julho, quando as mínimas, dependendo da região, podem chegar a até 4°C.

Vegetação

Ipê-amarelo, em Goiânia.

Ipê-amarelo, em Goiânia.

Com exceção da região do Mato Grosso Goiano, onde domina uma pequena área de floresta tropical onde existem árvores de grande porte, onde a indústria aproveita como o mogno, jequitibá e peroba. O território goiano apresenta a típica vegetação do Cerrado. Arbustos altos e árvores de galhos retorcidos e de folha e casca grossas e raizes profundas formam boa parte da vegetação. Municípios como Goiânia, Anápolis, bem como diversos outros localizados no sul do estado possuem estreitas faixas de floresta Atlântica, as quais, na maioria das vezes, cobre margens de rios e grandes serras.

Ao contrário das áreas de caatinga do Nordeste brasileiro, o subsolo do cerrado apresenta água em abundância, embora o solo seja ácido, com alto teor de alumínio, e pouco fértil. Por esse motivo, na estação seca, parte das arvores perde as folhas para que suas raízes possam buscar a água presente no subsolo.

Exemplos de árvores do cerrado são: lobeira, mangabeira, pequizeiro, e de algumas plantas medicinais, como a caroba e a quineira.

Fauna

A fauna em Goiás é riquíssima, destacando-se animais de variadas espécies, como capivaras e antas, as margens de rios e riachos. Nas matas: onças, tamanduás, macacos e animais típicos do cerrado, como a ema e a seriema. Pássaros de variadas espécies enriquecem a nossa fauna, além de peixes e anfíbios nos rios e lagos espalhados em todo o estado.

Para proteger as florestas, a flora e a fauna, foram criados pelo Governo parques e reservas florestais, onde são proibidas a pesca, a derrubada das arvores e a caça. No estado foram criados: Parque Nacional das Emas – em Mineiros no sul do estado. Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros – nos municípios de Alto Paraíso e Cavalcante.

Hidrografia

Ver artigo principal: Lista de rios de Goiás

Goiás é banhado por três bacias hidrográficas: a Bacia do rio Paraná, a Bacia do Tocantins e a Bacia do São Francisco. Os principais rios são: Paranaíba, Aporé, Araguaia, São Marcos, Corumbá, Claro, Paranã e Maranhão.

Lagos e lagoas
  • Lagoa Feia – Nas cachoeiras do Rio Preto, perto de Formosa.
  • Lagoa Formosa – No município de Planaltina, próximo de Brasília.
  • Lagoa Piratininga – As águas quentes, no município de Caldas Novas.
  • Lagoa dos Tigres – Suas águas vêm do Rio Água Limpa, formam também o Lago dos Tigres, desaguando no Rio Vermelho, no município de Britânia.
  • Lagoa Santa – No município de Itajá.
  • Lagoa Aporé – Suas águas são consideradas medicinais, com temperatura elevada e de alto teor sulfúrico.
  • Lagoa Bonita – Ou Lagoa Mestre D’Armas, perto da cidade de Planaltina.
  • Lago Azul – No município de Três Ranchos.
  • Lago do Acará – No município de Britânia, deságua no Rio Araguaia.
  • Lago de Cachoeira Dourada – Formado pelo represamento do Rio Paranaíba para a hidrelétrica Cachoeira Dourada.
  • Lago do Iú – No município de Jussara.
  • Lago Serra da Mesa – Nos municípios de Niquelândia, Minaçu e Uruaçu, maior lago de Goiás e do Brasil em volume de água.
  • Lago de Cana Brava – Nos municípios de , Minaçu e Cavalcante.

Mesorregiões, microregiões e municípios

Goiânia, capital do estado de Goiás.

Goiânia, capital do estado de Goiás.

Ver artigo principal: Mesorregiões de Goiás

O estado de Goiás é divido estatisticamente em cinco mesorregiões, dezoito microrregiões e 246 municípios segundo o IBGE (Instituto Brasileio de Geografia e Estatítica).

Transportes

Rodovias

Goiás possui uma extensa malha viária. Conta com 3.400 Km de rodovias federais, 18.610 quilômetros de rodovias estaduais e 64.690 quilômetros de rodovias municipais, o que totaliza 86.700 quilômetros de rodovias, dos quais somente 7.822 são pavimentados.

A BR-153 corta o estado de Norte a Sul, ligando Itumbiara, na divisa com Minas Gerais, a Porangatu, na divisa com Tocantins. A BR-040 que liga Brasília a Belo Horizonte e ao Rio de Janeiro conecta também, por sua vez, diversos municípios goianos como Cristalina, Luziânia, Valparaíso de Goiás.

Outras rodovias dignas de destaque são a BR-060 que liga Brasília a Goiânia e ao Mato Grosso do Sul, cortando o Sudoeste goiano; e a GO-070, que liga Goiânia a Aruanã, no Noroeste do estado.

Ferrovias

Atualmente o transporte ferroviário é pouco utilizado em Goiás, o Estado possui um trecho de linha férrea que interliga parte de Minas Gerais ao Sudeste de Goiás e um outro trecho que interliga o Sudeste Goiano à capital Goiânia passando por Senador Canedo, cidade na qual possui grande distribuidoras petrolíferas e abatedouros de grande porte junto a margem dessa ferrovia. Mas este quadro pode mudar já que o Governo Federal começou as obras da Ferrovia Norte-Sul com grande parte já pronta em Goiás, despontando do recém criado Porto Seco de Anápolis em direção ao Tocantins lado norte e lado sul indo em direção a Minas Gerais. A Ferrovia Norte-Sul está bem infra-estruturada na região norte do país devido aos investimentos crescentes do Governo Federal. Há uma previsão que seja finalizada antes do fim do mandato do atual presidente do Brasil.

Hidrovias

Há apenas uma hidrovia no Rio Paranaíba e o principal porto dela é o de São Simão que faz parte da Hidrovia Paraná-Tietê.

Economia

A economia se baseia no comércio, na pecuária na indústria (de mineração, alimentícia, farmacêutica, de vestuário, mobiliária, metalúrgica, madeireira), na pecuária (principalmente bovinos, aves e suinos) e na agricultura (soja, milho, arroz, algodão, cana-de-açúcar, sorgo, trigo e girassol).

Pecuária

A pecuária é a criação de gado. A criação de bovinos é a mis importante atividade econômica da região. Criam-se também caprinos, ovinos, asininos, muares, suínos, eqüinos. Em Goiás, a pecuária está experimentando crescimento extraordinário, fornecendo, alem da produção do leite, outros derivados como carne, couro, lã e pele.

Extrativismo mineral

Nosso estado e rico em reservas minerais. O subsolo goiano apresenta grandes variedades de minérios, que dá condições economicamente muito favoráveis. Sendo os principais minérios o níquel, manganês, calcário, sendo os principais municípios mineradores Niquelândia e Barro Alto.

História

um dos exemplos da arquitetura barroca em Goiás.

Fachada da Igreja da Boa Morte, na Cidade de Goiás: um dos exemplos da arquitetura barroca em Goiás.

Ver artigo principal: História de Goiás

Patrimônio da Humanidade

Em Goiás, por ser um dos estados com grande beleza ecologica e historica, temos alguns patrimônios mundiais tombados pela UNESCO, e pelo IPHAN, mas estamos ainda querendo que a UNESCO considere a cidade de Pirenópolis como patrimonio, porque a mesma já é patrimonio nacional.

População

De acordo com o IBGE em julho de 2006 Goiás tinha 5.635.890 Habitantes, sendo o estado mais populoso do Centro-Oeste. O acentuado crescimento demográfico no estado começou após a construção de Goiânia em 1933 e aumentou ainda mais após a construção de Brasília. Atualmente a taxa de crescimento estadual é maior que a nacional.

Demografia

A densidade demográfica do estado era de 16,52hab/km² em 2005. As regiões mais populosas são: Região Metropolitana de Goiânia com pouco mais de 2 milhões de habitantes e a leste ou Região do Entorno de Brasília com 1,1 milhões.

Mato Grosso

Estado do Mato Grosso

SAIBA MAIS…
é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Está localizado a oeste da região Centro-Oeste e a maior parte de seu território é ocupado pela Amazônia Legal, sendo o extremo sul do estado pertencente ao Centro-Sul do Brasil. Tem como limites: Amazonas, Pará (N); Tocantins, Goiás (L); Mato Grosso do Sul (S); Rondônia e Bolívia (O). Ocupa uma área de 903.357 km², pouco menor que a Venezuela. Sua capital é a cidade de Cuiabá.As cidades mais importantes são Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Sinop, Cáceres e Tangará da Serra. Veja a lista de municípios e distritos de Mato Grosso. Extensas planícies e amplos planaltos dominam a área, a maior parte (74%) se encontra abaixo dos 600 metros de altitude. Juruena, Teles Pires, Xingu, Araguaia, Paraguai, Piqueri, São Lourenço, das Mortes e Cuiabá são os rios principais. Veja a lista de rios de Mato Grosso.

História

Ver artigo principal: História de Mato Grosso

Pelo Tratado de Tordesilhas (de 7 de junho de 1494) o território do atual estado de Mato Grosso pertencia à Espanha. Os jesuítas, a serviço dos espanhóis, criaram os primeiros núcleos, de onde foram expulsos pelos bandeirantes paulistas em 1680. Em 1718, a descoberta do ouro acelerou o povoamento. Em 1748, para garantir a nova fronteira, Portugal criou a capitania de Mato Grosso e lá construiu um eficiente sistema de defesa.

Durante as bandeiras, uma expedição chegou ao Rio Coxipó em busca dos índios Coxiponés e logo descobriram ouro nas margens do rio, alterando assim o objetivo da expedição. Em 1719 foi fundado o Arraial da Forquilha, as margens do rio Coxiponés formando o primeiro grupo de população organizado na região (atual cidade de Cuiabá). A região de Mato Grosso era subordinada a Rodrigo César de Menezes, para intensificar a fiscalização da exploração do ouro e a renda ida para Portugal, o governador da Capitania muda-se para o Arraial e logo a eleva a nível de Vila chamando de Vila Real do Bom Jesus de Cuyabá. Com os tratados de Madri (1750) e Santo Ildefonso (1777), Espanha e Portugal estabeleceram as novas fronteiras. A produção de ouro começou a cair no início do século XIX. Em 1901, ocorreu um movimento separatista temporariamente controlado.

Em 1917, a situação se agravou, provocando intervenção federal. Com a chegada dos seringueiros, pecuaristas e exploradores de erva-mate na primeira metade do século XIX, o Estado retomou o desenvolvimento.

Em 1977, uma parte do Estado foi desmembrada e transformada em Mato Grosso do Sul.
Atualmente o Estado de Mato Grosso tem como governador Blairo Maggi e como vice-governador Silval da Cunha Barbosa.

Geografia

Ver artigo principal: Geografia de Mato Grosso
Mato Grosso
Ficha técnica
Área 903.386,1 km²
Relevo planalto e chapadas no centro, planície com pântanos a oeste e depressões e planaltos residuais a norte.
Ponto mais elevado serra Manto Cristo (1.118 m).
Rios principais Juruena, Teles Pires, Xingu, Araguaia, Paraguai, Piqueri, Cuiabá, São Lourenço das Mortes.
Vegetação cerrado na metade leste, floresta Amazônica a noroeste, pantanal a oeste.
Clima tropical
Municípios mais populosos Cuiabá (483.346), Várzea Grande (215.298), Rondonópolis (150.227), Cáceres (85.857), Sinop (74.831), Tangará da Serra (58.840), Barra do Garças (52.092), Alta Floresta (46.982), Pontes e Lacerda (43.012), Primavera do Leste (39.857) (2000).
Hora local -1h
Gentílico mato-grossense

Mato Grosso ocupa uma área de 903.357km² do território brasileiro e localiza-se a oeste do Meridiano de Greenwich e a sul da Linha do Equador, tendo fuso horário -4 horas em relação a hora mundial GMT. No Brasil, o estado faz parte da região Centro-Oeste, fazendo fronteiras com os estados de Mato Grosso do Sul, Goiás, Pará, Amazonas, Rondônia,Tocantins, além de um país, a Bolívia. A capital (Cuiabá) está localizada a 15º35’55.36″ lat. e 56º05’47.25″ long., sendo conhecida, por isso mesmo, como coração da América do Sul.

Relevo

O relevo mato-grossense, de altitudes modestas, apresenta grandes superfícies aplainadas, talhadas em rochas sedimentares. Esse relevo é composto de três unidades distintas:

  • O Planalto Mato-Grossense, que serve de divisor de águas entre os rios que correm para o Paraguai e os rios da bacia do rio Amazonas. É formado por uma série de planaltos cristalinos e chapadões sedimentares, com altitudes que variam, em média, de 400 a 800m;
  • O planalto arenítico-basáltico, localizado no sul do estado, simples parcela do Planalto Meridional.

As serras mais importantes são as seguintes:

A nordeste do Planalto Mato-Grossense, localizam-se duas grandes depressões, separadas pela Serra do Roncador:

Essas duas áreas constituem amplas planícies inundáveis alagadas periodicamente pelas enchentes dos rios. Mato Grosso conta ainda com uma porção do Pantanal Mato-Grossense, extensa planície alagadiça, com altitudes que vão de 100 a 300m.

Clima

O tipo de clima predominante em Mato Grosso é o tropical superúmido de monção, típico da Amazônia; segundo a classificação de Köppen, o clima tropical do norte de Mato Grosso é do tipo Am. As temperaturas são elevadas, com a média anual ultrapassando os 26ºC. O índice de chuvas também é alto, atingindo dois mil milímetros anuais.

Também prevalece o clima tropical, propriamente dito, com chuvas de verão e inverno seco, caracterizado por médias de 23°C no Planalto Central. A quantidade de chuvas também é alta nesse clima: ultrapassa a média anual de 1.500mm, já que a estação seca, bastante marcada no sul do estado, vai gradativamente se reduzindo em direção ao norte.

Vegetação

A maior parte da superfície estadual é coberta pela floresta equatorial, com árvores muito altas e copadas, como a andiroba, o angelim, o pau-roxo e a seringueira. É um verdadeiro prolongamento da Floresta Amazônica em Mato Grosso. Ao sul de Cuiabá, domina o cerrado, vegetação formada por árvores de até 10m de altura, espalhadas entre numerosos e variados arbustos.

No Pantanal, há diversos tipos de vegetação, que variam de acordo com o terreno. Predomina, porém, a cobertura de gramínea, excelente pastagem para o gado. Entre as vertentes dos rios:rio Xingu e Rio Tapajós, no norte do Estado, a vegetação também não é uniforme, passando da mata seca e da floresta, mais densa às margens dos [[ rio, ao campo, verdadeiro tapete erva|herbáceo, praticamente desprovido de arbustoS. A zona de florestas compreende 47% da área do estado, os cerrados 39% e os campos 14%.

Hidrografia

A rede fluvial de Mato Grosso pertence a dois sistemas hidrográficos: a a bacia do rio Amazonas e a do rio Paraguai. Os principais rios da bacia do rio Amazonas são o Araguaia e seu afluente o rio das Mortes, o Xingu, o Juruena, o Teles Pires e o Roosevelt.

O rio Paraguai nasce ao norte de Cuiabá, na chamada Amazônia mato-grossense. Seu principal rio afluente em território mato-grossense é o Cuiabá, no sul do Estado.
Sao muitos importanto para nos

Vanessa Gabriel

Ecologia

São as seguintes unidades de conservação a nível federal localizadas em Mato Grosso:

Demografia

A população de Mato Grosso é de 2.803.274 habitantes, segundo a estimativa populacional de 2005, com dados recentemente coletados pelo IBGE. Mato Grosso é o décimo-nono Estado mais populoso do Brasil e concentra 1,47% da população brasileira. Do total da população do Estado em 2000, 1.217.166 habitantes são mulheres e 1.287.187 habitantes são homens.

Mato Grosso tem uma população de 2.803.274 hab. segundo IBGE de 2005, com uma densidade demográfica de 2,6 hab/km². Pelas características encontradas no Estado o predomínio é de pessoas adultas e com um índice de declínio para jovens e aumento de idosos. Pela média do Estado há um predomínio de homens devido a emigração dos outros Estados para Mato Grosso, contudo, na grande Cuiabá há predomínio de mulheres, semelhante a média brasileira. Mato Grosso ocupa o IDH 9º entre os Estados do Brasil.

Mato Grosso do Sul

Estado do Mato Grosso do Sul

SAIBA MAIS…

Mato Grosso do Sul é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Está localizado na região Centro-Oeste e sua capital é a cidade de Campo Grande. Tem como bebida típica o tereré (semelhante ao chimarrão, porém frio), tomado nos encontros entre amigos e familiares. É também considerado o estado-símbolo da bebida e maior produtor de erva-mate da região Centro-Oeste do Brasil.

O estado constituía a parte meridional do estado do Mato Grosso, do qual foi desmembrado por lei complementar de 1977. Uma parte do antigo estado estava localizado dentro da Amazônia legal, cuja área, que antes ia até o paralelo 16, se estendeu mais para o sul, a fim de beneficiar com seus incentivos fiscais a nova unidade da federação.

Geografia

Localização

O estado de Mato Grosso do Sul está localizado no sul da região Centro-Oeste do Brasil e tem como limites Goiás ao nordeste, Minas Gerais ao leste, Mato Grosso ao norte, Paraná ao sul, São Paulo ao sudeste, Paraguai ao oeste e sul e a Bolívia ao noroeste.

Ocupa uma superfície de 358.159 km², e é ligeiramente maior que a Alemanha.

Geologia

O arcabouço geológico do Mato Grosso do Sul é formado por três unidades geotectônicas distintas: a plataforma amazônica, o cinturão metamórfico Paraguai-Araguaia e a bacia sedimentar do Paraná. Sobre essas unidades, visualizam-se dois conjuntos estruturais. O primeiro, mais antigo, com dobras e falhas, está localizado em terrenos pré-cambrianos, e o segundo, em terrenos fanerozóicos, na bacia sedimentar do Paraná.

Não ocorrem grandes altitudes nas duas principais formações montanhosas, as serras da Bodoquena e de Maracaju, que formam os divisores de águas das bacias do Paraguai e do Paraná. As altitudes médias do estado ficam entre 200 e 600 metros.

O planalto da bacia do Paraná ocupa toda a porção leste do estado. Constitui uma projeção do planalto Meridional, grande unidade de relevo que domina a região sul do país. Apresenta extensas superfícies planas, com 400 a mil metros de altitude. Já a baixada do rio Paraguai, domina a região oeste, com rupturas de declives ou relevos residuais, representados por escarpas e morrarias.

Estendendo-se por uma vasta área de noroeste do estado, a baixada do rio Paraguai é parte da grande depressão que separa, no centro do continente, o planalto Brasileiro, a leste, da Cordilheira dos Andes, a oeste. Sua maior porção é formada por uma planície aluvial sujeita a inundações periódicas, a planície do Pantanal, cujas altitudes oscilam entre 100 e 200m. Em meio à planície do Pantanal ocorrem alguns maciços isolados, como o de Urucum, com 1.160m de altitude, próximo à cidade de Corumbá.

Clima

Na maior parte do território do estado predomina o clima do tipo tropical, com chuvas de verão e inverno seco, caracterizado por médias termométricas que variam entre 26°C na baixada do Paraguai e 23°C no planalto. A pluviosidade é de aproximadamente 1.500mm anuais. No extremo meridional ocorre o clima subtropical, em virtude de uma latitude um pouco mais elevada e do relevo de planalto. A média térmica é pouco superior a 20°C, com queda abaixo de 10°C nos meses mais frios do ano. Observa-se o mesmo regime de chuvas de verão e inverno seco, e a pluviosidade anual é, também, de 1.500mm.

Hidrografia

O território estadual é drenado pelos sistemas dos rios Paraná, sendo seus principais afluentes os rios Sucuriú, Verde, Pardo e Ivinhema, a leste, e Paraguai, cujos principais afluentes são os rios Taquari, Aquidauana e Miranda. Pelo Rio Paraguai escoam as águas da planície do Pantanal e terrenos periféricos. Na baixada, produzem-se anualmente inundações de longa duração.

A linha de divisa com o estado de Mato Grosso segue limites naturais formados por vários rios.

Vegetação

Os cerrados recobrem a maior parte do estado.

Na planície aluvial do Pantanal surge o chamado Complexo do Pantanal, revestimento vegetal em que se combinam cerrados e campos, com predominância da vegetação de campos. Os campos, que constituem cinco por cento da vegetação do estado, ocupam ainda uma pequena área na região de Campo Grande.

Já na extrema costa leste sul-matogrossense, há resquícios de Mata Atlântica às margens do rio Paraná.

História

Ver artigo principal: História de Mato Grosso do Sul

As idéias separatistas de Mato Grosso do Sul tiveram início no começo do século XX, com uma revolta chefiada pelo coronel Mascarenhas, que resultou na derrota dos rebeldes. O norte sempre resistiu, por temer o esvaziamento econômico do Estado. Durante a Revolução Constitucionalista de 1932, a região sul aderiu ao movimento, sob a condição de que em caso de vitória obteria a divisão. Em 11 de outubro de 1977, Mato Grosso do Sul foi finalmente desmembrado, transformando-se em Estado no 1.º de janeiro de 1979, com a posse do primeiro governador, o engenheiro gaúcho Harry Amorim Costa, e da Assembléia Constituinte. A primeira eleição só ocorreu em 1982. Para justificar o desmembramento, o governo federal argumentou que o antigo Estado dispunha de área muito extensa, que dificultava a administração, além de apresentar claras diferenças ecológicas.

Cultura

O tereré

O tereré

Principais pratos típicos do estado:

Principais bebidas típicas:

Símbolos:

Música

Economia

Cachoeira na Estância Mimosa em Bonito

Cachoeira na Estância Mimosa em Bonito

Tenda de artesanato em Bonito.

Tenda de artesanato em Bonito.

Pôr do sol no Pantanal.

Pôr do sol no Pantanal.

A principal área econômica do estado do Mato Grosso do Sul é a do planalto da bacia do Paraná, com seus solos florestais e de terra roxa. Nessa região, os meios de transporte são mais eficientes e os mercados consumidores da região Sudeste estão mais próximos.

O PIB de Campo Grande, a capital do estado, é de cerca de R$ 5,3 bi. No interior, os três municípios com maior participação na composição do PIB estadual em 2004 são: Dourados (pólo agropecuário e agroindustrial) com um PIB de R$ 1,6 bilhão, seguido de Corumbá (pólo de pecuária de cria e recria, industrial mineral e turismo) com um PIB de R$ 1,2 bilhão e Três Lagoas com um PIB de R$ 991 milhões.

Setor primário

A maior produção agropecuária concentra-se na região de Dourados. Desenvolve-se uma agricultura diversificada, com culturas de soja, arroz, café, trigo, milho, feijão, mandioca, algodão, amendoim e cana-de-açúcar. Nos campos limpos, pratica-se a pecuária de corte, com numeroso rebanho bovino, e os suínos assumem importância nas áreas agrícolas. No Pantanal, a oeste, estão as melhores pastagens do estado.

Setor secundário

A maior parte da energia consumida no estado é produzida pela usina hidrelétrica de Jupiá, instalada no rio Paraná, no estado de São Paulo. As indústrias do Mato Grosso do Sul são responsáveis por vinte por cento desse consumo.

O estado conta com importantes jazidas de ferro, manganês, calcário, mármore e estanho. Uma das maiores jazidas mundiais de ferro é a do monte Urucum, situado no município de Corumbá. De modo geral, o solo tem boas propriedades físicas, mas propriedades químicas fracas, o que exige a correção de cerca de quarenta por cento da área total com o emprego de calcário.

A principal atividade industrial do Mato Grosso do Sul é a produção de gêneros alimentícios, seguida da transformação de minerais não-metálicos e da indústria de madeira. Os beneficiamentos de carne bovina e de arroz têm seu centro na capital. Até antes do desmembramento, toda a carne produzida no Mato Grosso era beneficiada no atual Mato Grosso do Sul. Corumbá é o maior núcleo industrial do Centro-Oeste, com indústrias de cimento, fiação, curtume, beneficiamento de cereais e uma siderúrgica que trata o minério do Maciço do Urucum.

Setor terciário

O turismo ecológico também representa uma importante fonte de receita para o estado. A região do pantanal sul mato-grossense atrai visitantes do resto do país e do mundo, interessados em conhecer a beleza natural na região.

Meios de transporte

Estrada de Ferro Noroeste do Brasil: (atual Novoeste e comprada em 2006 pela ALL): sendo a principal e mais antiga ferrovia, corta o Mato Grosso do Sul da divisa com São Paulo, em Três Lagoas, até Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia. A mesma linha serve as cidades de Campo Grande, Aquidauana e Corumbá, com um ramal em direção a Ponta Porã.
Ferronorte: mais recente (construída entre as décadas de 1980 e 1990), sai de Santa Fé do Sul no estado de São Paulo e cruza o rio Paraná até Aparecida do Taboado. Daí segue para o norte do estado, passando por cidades como Inocência e Chapadão do Sul até atingir Alto Taquari, no sul do estado de Mato Grosso.
  • Rodovias: seu sistema viário contribui em boa medida para o escoamento da produção agropecuária. Os principais eixos rodoviários são:
BR-163: liga Sonora a Mundo Novo
BR-267: liga Porto Murtinho a Porto Quinze de Novembro, no rio Paraná, e a Ourinhos, em São Paulo.
BR-060: liga Chapadão do Sul a Bela Vista
BR-262: liga Corumbá á Vitória (Espírito Santo)

População

Corumbá, localizada ás margens do rio Paraguai

Corumbá, localizada ás margens do rio Paraguai

Cor/Raça (*) Porcentagem (IBGE/2007)
Brancos 62.2 %
Negros 5.3 %
Pardos 30.8 %
Amarelos ou indígenas 1.7 %

Demografia

Crescimento populacional
1940 238.640
1950 309.395
1960 579.652
1970 980.560
1980 1.369.769
1991 1.780.373
1996 1.927.834
2000 2.078.001
2007 2.265.274

A população de Mato Grosso do Sul tem crescido a altos níveis desde a década de 1870, quando o estado passou a ser efetivamente povoado. Entre a década de 1940 e o ano de 2007, a população aumentou quase dez vezes, ao passo em que a população do Brasil, no mesmo período, aumentou pouco mais que quatro vezes. Isso, no entanto, não se dá devido a uma alta taxa de natalidade no estado, mas à grande quantidade de migrantes de outros estados ou imigrantes em Mato Grosso do Sul. Segundo o IBGE, no ano de 2005, 30,2% da população residente no estado não era natural daquela unidade da federação[1], ao passo em que a taxa de fecundidade no estado no ano 2000 era a décima menor do Brasil, com 2,4 filhos por mulher [2].

As migrações de contingentes oriundos dos estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo e imigrações de países como Alemanha, Espanha, Itália, Japão, Paraguai, Portugal, Síria e Líbano foram fundamentais para o povoamento de Mato Grosso do Sul e marcaram a fisionomia da região. O estado é, ainda, o segundo do Brasil em número de habitantes ameríndios, de várias etnias.

O grande número de descendentes de ameríndios e de imigrantes paraguaios, que em sua maioria têm como ancestrais os índios guaranis, são dois fatores que contribuem para a alta porcentagem dos chamados “pardos” na população do estado de Mato Grosso do Sul. Já a ascendência afro-brasileira desse grupo étnico não é tão numerosa quanto a indígena.

Apesar disso, o sul matogrossense serviu de refúgio para vários negros fugidos durante o período da escravidão e referências a esta região estão presentes em canções folclóricas, como as utilizadas em práticas de capoeira. A canção Paranauê (Paranauê, Paranauê, Paraná…), por exemplo, alude à liberdade que os escravos encontrariam para além do Rio Paraná, no atual território de Mato Grosso do Sul, onde não seriam caçados por feitores ou bandeirantes. Há, no entanto, uma interpretação desta canção como fazendo referência ao estado do Paraná, o que é uma leitura errônea uma vez que o estado do Paraná somente foi criado em 1853, sendo a canção muito mais antiga – a capoeira em si data de antes de 1770. Portanto, o Paraná da letra é o Rio Paraná, e não o estado, que recebeu seu nome devido ao rio. Outra prova disso é o fato de que o estado de Mato Grosso do Sul também possui uma das maiores quantidades de comunidades quilombolas no Brasil [3].

Esta era a área mais povoada do antigo estado do Mato Grosso, com uma densidade demográfica bastante alta no planalto da bacia do rio Paraná, onde ocorrem solos de terra roxa com topografia regular. Ao ser constituído, no final da década de 1970, Mato Grosso do Sul contava com uma densidade média de 3,9 habitantes por quilômetro quadrado – alguns municípios chegavam a ter mais de cinqüenta habitantes por quilômetro quadrado-, em contraste com o norte, atual Mato Grosso, de menor densidade.

Antes do desmembramento, Campo Grande já era considerada a maior cidade do estado de Mato Grosso. Após a divisão, continua sendo a maior cidade de Mato Grosso do Sul. A capital sul-matogrossense possuía em 2007 724.524 habitantes.

As demais cidades importantes são:

Minas Gerais

Estado de Minas Gerais

SAIBA MAIS…
é uma das 27 unidades federativas do Brasil. É o 4º Estado da Federação em extensão territorial, que é de 586.528 km², equivalente à da França. Localiza-se no Sudeste e limita-se a sul e sudoeste com São Paulo, a oeste com o Mato Grosso do Sul e a noroeste com Goiás, incluindo uma pequena divisa com o Distrito Federal, a leste com o Espírito Santo, a sudeste com o Rio de Janeiro e a norte e nordeste com a Bahia. O atual governador do estado é Aécio Neves.O estado é o segundo mais populoso do Brasil, com pouco mais de 19 milhões de habitantes (IBGE/2007)[1]. Sua capital é a cidade de Belo Horizonte, que reúne em sua região metropolitana cerca de cinco milhões de habitantes.

Minas Gerais possui o terceiro maior Produto Interno Bruto do Brasil, atrás dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, embora em um importante indicador de capacidade econômica, a arrecadação de ICMS, Minas tenha superado o Rio de Janeiro no ranking nacional.

Minas Gerais é muito importante também sob o aspecto histórico: cidades erguidas durante o ciclo do ouro no século XVIII consolidaram a colonização do interior do país e estão espalhadas por todo o estado. Alguns eventos marcantes da história brasileira, como a Inconfidência Mineira, a Revolução de 1930 e o Golpe Militar de 1964 foram arquitetados em Minas Gerais.

História

Igreja de São Pedro dos Clérigos em Mariana, primeira cidade de Minas Gerais.

Igreja de São Pedro dos Clérigos em Mariana, primeira cidade de Minas Gerais.

Igrejas em estilo barroco em Mariana.

Igrejas em estilo barroco em Mariana.

Capelas de Congonhas.

Capelas de Congonhas.

Ver artigo principal: História de Minas Gerais

O desbravamento da região teve início no século XVI, por bandeirantes paulistas que buscavam ouro e pedras preciosas. Em 1693, as primeiras descobertas importantes de ouro na serra de Sabarabuçu, nos ribeirões do Carmo e do Tripuí provocaram um grande afluxo migratório à região. Em 1696 foi fundado o arraial de Nossa Senhora do Ribeirão do Carmo, o qual, em 1711, se tornou a primeira vila de Minas Gerais, núcleo original do atual município de Mariana.

Já na correspondência do embaixador francês em Lisboa, Rouillé, há a primeira menção ao ouro chegado na frota em 1697, quando se referiu a ouro peruano, equivocadamente – haviam chegado 115,2 quilos de ouro do Brasil, seguramente. Faltam elementos para julgar o ouro entrado no Reino de 1698 a 1703 mas Godinho, sem citar a fonte, menciona em 1699 725 quilos e em 1701 1.785 quilos.

A descoberta das minas e a exploração do ouro desencadearam alguns conflitos, sendo os mais importantes a Guerra dos Emboabas (1707-1710) e a Revolta de Felipe dos Santos.

Na primeira metade do século XVIII, Minas Gerais tornou-se o centro econômico da colônia, com rápido povoamento. Em 1709, foi criada a Capitania de São Paulo e Minas de Ouro, desmembrada da Capitania do Rio de Janeiro. Em 1720, a Capitania de Minas Gerais foi separada da Capitania de São Paulo, tendo como capital Vila Rica (atual Ouro Preto). Destacavam-se as chamadas Vilas do Ouro – Ouro Preto, (estudada em História de Ouro Preto com mais pormenores), Mariana, Caeté, São João del-Rei, Catas Altas, Pitangui, Sabará, Serro e Tiradentes – e também Diamantina. No entanto, a produção aurífera começou a cair por volta de 1750, o que levou Portugal a buscar meios para aumentar a arrecadação de impostos, provocando a revolta popular, que culminou na Inconfidência Mineira, em 1789.

Encerrada essa fase, a política de isolamento imposta à região mineradora para exercer maior controle sobre a produção de pedras e metais preciosos ainda inibia o desenvolvimento de qualquer outra atividade econômica de exportação, forçando a população a se dedicar a atividades agrícolas de subsistência. Por decênios, apesar dos avanços alcançados na produção de açúcar, algodão e fumo para o mercado interno, Minas Gerais continuou restrito às grandes fazendas, autárquicas e independentes.

A decadência do ouro levou ao esvaziamento das vilas mineradoras, com o deslocamento das famílias e seus escravos para outras regiões, o que expandiu as fronteiras da capitania, antes restritas à região das minas. No fim do século XVIII, começou a ocupação das atuais regiões da Zona da Mata, Norte de Minas e Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. A expansão dos limites de Minas Gerais continuou ao longo do século XIX[2]: em 1800 definiu-se como divisa com o Espírito Santo a Serra dos Aimorés; em 1816, o Triângulo Mineiro foi transferido da Capitania de Goiás para Minas; em 1824 o atual Noroeste de Minas foi desmembrado de Pernambuco e incorporado a Minas; a divisa com o Rio de Janeiro, estabelecida sem precisão desde 1709, foi definida em 1843 e em 1857 o Vale do Jequitinhonha foi definitivamente transferido da Bahia para Minas Gerais.

A estagnação econômica da província, bem como de toda a colônia, continuava e somente foi rompida com o surgimento de uma nova e dinâmica atividade exportadora, o café.

A introdução da cafeicultura em Minas Gerais ocorreu no início do século XIX. Localizou-se, inicialmente, na Zona da Mata, onde se difundiu rapidamente para as regiões vizinhas, transformando-se na principal atividade da província e agente indutor do povoamento e do desenvolvimento da infra-estrutura de transportes. A prosperidade trazida pelo café ensejou um primeiro surto de industrialização, reforçado, mais tarde, pela política protecionista implementada pelo Governo Federal após a Proclamação da República Brasileira. Por essa época, Juiz de Fora figura como um dos principais centros urbanos mineiros, com a construção de hidrelétricas e rodovias para atender às demandas industriais.

As indústrias daí originárias eram de pequeno e médio portes, concentradas, principalmente, nos ramos de produtos alimentícios (laticínios e açúcar), têxteis e siderúrgicos. No setor agrícola, em menor escala, outras culturas se desenvolveram, como o algodão, a cana-de-açúcar e cereais.

O predomínio da cafeicultura só vai se alterar, gradualmente, no período de 1930 à 1950, com a afirmação da natural tendência do Estado para a produção siderúrgica e com o crescente aproveitamento dos recursos minerais. Ainda na década de 50, no processo de substituição de importações, a indústria ampliou consideravelmente sua participação na economia brasileira. Um fator que contribuiu para essa nova realidade foi o empenho governamental na expansão da infra-estrutura – sobretudo na área de energia e transportes – cujos resultados se traduziram na criação, em 1952, da Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG) e no crescimento da malha rodoviária estadual, com destaque para a inauguração da Fernão Dias, que liga Belo Horizonte a São Paulo, no fim da década.

Igreja em estilo barroco de São João del-Rei remonta a época do ciclo do ouro.

Igreja em estilo barroco de São João del-Rei remonta a época do ciclo do ouro.

Na década de 60, a ação do Governo cumpriu papel decisivo no processo de industrialização, ao estabelecer o aparato institucional requerido para desencadear e sustentar o esforço de modernização da estrutura fabril mineira.

A eficiente e ágil ofensiva de atração de investimentos, iniciada no final da década de 1960, encontrou grande ressonância junto a investidores nacionais e estrangeiros. Já no início da década de 1970 o Estado experimentou uma grande arrancada industrial, com a implantação de inúmeros projetos de largo alcance sócio-econômico. O parque industrial mineiro destacou-se nos setores metal-mecânico, elétrico e de material de transportes.

Entre 1975 e 1996, o Produto Interno Bruto (PIB) mineiro cresceu 93% em termos reais. Em igual período, o País registrou um crescimento de 65%. Esse relevante desempenho verificou-se, sobretudo, no setor de transformação e nos serviços industriais de utilidade pública. Na indústria extrativa mineral, a supremacia mineira durou até 1980, quando o País passou a explorar, entre outras, as jazidas do complexo Carajás. Entretanto, em 1995, o Estado ainda respondia por 26% do valor da produção mineral brasileira do setor de metálicos.

Geografia

Ver artigo principal: Geografia de Minas Gerais
Belo Horizonte, a capital mineira.

Belo Horizonte, a capital mineira.

Uberlândia, a cidade mais importante do interior mineiro.

Uberlândia, a cidade mais importante do interior mineiro.

Ipatinga, pólo econômico do leste mineiro.

Ipatinga, pólo econômico do leste mineiro.

Relevo, clima e vegetação

O Estado de Minas Gerais está localizado entre os paralelos de 14º13’58’ ‘ e 22º54’00’ ‘ de latitude sul e os meridianos de 39º51’32’ ‘ e 51º02’35’ ‘ a oeste de Greenwich. As terras mineiras estão situadas num planalto cuja altitude varia de 100 a 1500 metros, possuindo um território inteiramente planáltico, não apresentando planícies. Mais da metade do estado localiza-se no Planalto Atlântico, com relevos de “mares de morros”, enquanto que, na sua porção noroeste, o estado apresenta os platôs do Planalto Central.

As maiores altitudes estão nas serras da Mantiqueira, do Espinhaço, da Canastra e do Caparaó, nas quais há terrenos localizados acima dos 1700 metros. O ponto culminante do estado é o Pico da Bandeira, com 2.891,9 metros de altitude, situado na divisa com o estado do Espírito Santo.

Os climas predominantes em Minas são o Tropical e o Tropical de Altitude. As regiões mais altas e o sul do estado apresentam as temperaturas mais baixas, chegando a atingir marcações próximas de 0°C. Nas regiões sul, sudeste, leste e central do estado são registrados os maiores índices pluviométricos. Em outro extremo, nas porções norte e nordeste, as chuvas escassas e as altas temperaturas tornam essas regiões muito susceptíveis à seca.

Originalmente, a cobertura vegetal de Minas Gerais era constituída por quatro biomas principais: Cerrado, Mata Atlântica, Campos rupestres e a Mata seca. O Cerrado ocupava praticamente metade do território do estado, ocorrendo nas regiões central, oeste, noroeste e norte. A segunda maior área de cobertura era representada pela Mata Atlântica, nas porções sul, sudeste, central e leste mineiras, tendo sido severamente desmatada e atualmente reduzida a pequenas áreas.

Regiões hidrográficas

Minas Gerais abriga em seu território as nascentes de importantes rios brasileiros. O território do estado está inserido nas seguintes regiões hidrográficas brasileiras: São Francisco, Paraná, Atlântico Leste e Atlântico Sudeste.

O Rio São Francisco é o principal rio de Minas Gerais e um dos mais importantes do Brasil. Nasce na Serra da Canastra e drena quase metade da área do estado, incluindo as regiões central, oeste, noroeste e norte.

A porção de Minas Gerais inserida na região hidrográfica do Paraná é a responsável pela maior parte da energia elétrica gerada no estado através de usinas hidrelétricas. O rio Grande e o rio Paranaíba, formadores do rio Paraná, nascem em Minas Gerais, e suas áreas de drenagem abrangem as regiões oeste e sul do estado.

Outras importantes bacias hidrográficas de Minas Gerais são as dos rios Doce, Paraíba do Sul, Jequitinhonha e Mucuri.

Ver artigo principal: Lista de rios de Minas Gerais

Principais municípios

Minas Gerais é o segundo estado mais populoso do país, com 19,2 milhões de habitantes[1], que se distribuem por 853 municípios, sendo a unidade da federação brasileira com o maior número de municípios. Os municípios mineiros representam 51,2% dos existentes na região Sudeste e 15,5% dos existentes no Brasil.

A capital do estado é Belo Horizonte, concebida e planejada para substituir a colonial Ouro Preto ao final do século XIX, então saturada e esgotada em sua capacidade de infra-estrutura para sediar o governo. Dentre os inúmeros fatores que pesaram na criação de Belo Horizonte, a localização privilegiada foi determinante, por estar a capital quase centralizada no estado. Sua construção foi marcada pela formulação de planejamento urbano específico, espelhado no exemplo de Boston (EUA). Foi inaugurada em 12 de dezembro de 1897 com o nome de Cidade de Minas.

Belo Horizonte é também a cidade mais populosa do estado, com pouco mais de 2,4 milhões de habitantes, em seguida Uberlândia com 608 mil habitantes no Triângulo Mineiro, Contagem também com 608 mil habitantes na Região Metropolitana de Belo Horizonte e Juiz de Fora, com 513 mil habitantes na Zona da Mata[3]. Em relação às demais capitais brasileiras, sua distância máxima (até Boa Vista) não passa de 3.118 km, e em relação aos municípios mineiros não vai além de 865 km (Formoso). Sua localização faz com que por meio dela ou em suas cercanias passem rodovias federais muito importantes para a interligação nacional, como as rodovias BR-040, BR-262, BR-381, dentre outras.

Outras cidades mineiras importantes são Alfenas, Araguari, Araxá, Barbacena, Betim, Bom Despacho, Caratinga, Cataguases, Conselheiro Lafaiete, Contagem, Coronel Fabriciano, Curvelo, Diamantina, Divinópolis, Governador Valadares, Ibirité, Ipatinga, Itabira, Itajubá, Itaúna, Ituiutaba, João Monlevade, Juiz de Fora, Lavras ,Manhuaçu, Mariana, Montes Claros, Muriaé, Ouro Preto, Pará de Minas, Paracatu, Passos, Poços de Caldas, Pouso Alegre, Sabará, São João Del Rei, Sete Lagoas, Teófilo Otoni, Timóteo , Tiradentes, Ubá, Uberaba, Uberlândia, Unaí, Varginha, Vespasiano e Viçosa [carece de fontes?].

Segmentação territorial

Cerrado representado pelo Ipê-amarelo, caracterstica predominante no Triângulo Mineiro.

Cerrado representado pelo Ipê-amarelo, característica predominante no Triângulo Mineiro.

Pelo critério do IBGE, o Estado de Minas Gerais pode ser dividido geograficamente em 12 mesorregiões, as quais são formadas por 66 microrregiões.

O governo estadual, entretanto, utiliza desde 1985 outra segmentação territorial para fins administrativos, dividindo Minas Gerais em Regiões de Planejamento (RP) nem sempre coincidentes com as mesorregiões do IBGE. Diferentemente da divisão em mesorregiões do IBGE, as Regiões de Planejamento são em número de dez[4]:

Política

Educação

Palácio da Liberdade, sede do governo de Minas Gerais, em Belo Horizonte.

Palácio da Liberdade, sede do governo de Minas Gerais, em Belo Horizonte.

A rede de ensino no estado conta com escolas privadas e públicas em todos os níveis de ensino. O português é o idioma oficial das escolas, mas o inglês e o espanhol são parte do currículo de escola secundária oficial.

No nível superior, o estado possui 25 instituições públicas (IBGE, 2005), as principais universidades públicas são:

Economia

Belo Horizonte, centro financeiro do estado.

Belo Horizonte, centro financeiro do estado.

Os prédios da Av. Afonso Pena, em Uberlândia.

Os prédios da Av. Afonso Pena, em Uberlândia.

Plantação de café em São João do Manhuaçu, na Zona da Mata.

Plantação de café em São João do Manhuaçu, na Zona da Mata.

O estado de Minas Gerais é o terceiro estado mais rico da Federação, atrás de São Paulo e Rio de Janeiro, com um PIB de 166,6 bilhões de reais (IBGE/2004). A estrutura econômica do Estado apresenta um equilíbrio entre os setores industrial e de serviços, responsáveis respectivamente por 45,4% e 46,3% do PIB de Minas Gerais, enquanto a agropecuária contribui com apenas 8,3%[5].

Indústria

Minas Gerais possui o terceiro maior parque industrial do país, atrás de São Paulo e Rio de Janeiro. Os principais tipos de indústrias que atuam no estado são extrativa (mineração), metalúrgica, automobilística, alimentícia, têxtil, construção civil, produtos químicos e minerais não-metálicos[5].

As regiões em que a indústria apresenta maior destaque são Central, Rio Doce, Zona da Mata, Sul e Triângulo.

Agropecuária

Na agricultura, apresentam maior destaque no Estado a produção de cana-de-açúcar, café, soja, milho, abacaxi, cebola, feijão e banana. Na pecuária, os maiores desempenhos são da bovinocultura de corte, suinocultura, avicultura e a produção de leite[5].

Exportações

No acumulado de janeiro a outubro de 2006, Minas Gerais exportou 12,85 bilhões de dólares, volume equivamente a 11,33% do total brasileiro, abaixo de São Paulo (33,28%), e à frente do Rio Grande do Sul (8,58%), do Rio de Janeiro (8,34%) e do Paraná (7,28%).

Transportes

Minas Gerais é o estado brasileiro que abriga a maior quilometragem de rodovias. A malha rodoviária no estado é de 269.545 quilômetros, dos quais apenas 11.396 em rodovias federais e 21.472 em rodovias estaduais e estaduais coincidentes, correspondendo todo o restante a estradas municipais. As principais rodovias federais que cortam Minas Gerais são BR-040, BR-116, BR-262, BR-381, BR-050 dentre outras[6].

Ver artigo principal: Rodovias de Minas Gerais

Também importantes ferrovias cruzam o estado de Minas Gerais, como a Estrada de Ferro Vitória-Minas, operada pela CVRD, e as antigas Estrada de Ferro Central do Brasil, Estrada de Ferro Leopoldina e a Ferrovia do Aço, atualmente administradas pelas concessionárias MRS Logística e Ferrovia Centro Atlântica.

Minas Gerais conta com 146 aeroportos, localizados em 142 municípios. O mais importante é o Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, que serve à Região Metropolitana de Belo Horizonte e outras cidades próximas como Itabira e João Monlevade.

Energia

A capacidade instalada de geração de energia elétrica de Minas Gerais em 2000 era de 11.435 MW, representando cerca de 17% do total do Brasil. Prevê-se que até 2005 mais 2.300 MW sejam incorporados ao sistema energético do Estado.

A inaguração recente das usinas hidrelétricas de Irapé, Capim Branco I e Capim Branco II em 2006 ampliou essa capacidade.

Além da capacidade de geração instalada, Minas Gerais é importante no campo energético do Brasil pelo fato dos rios de maior potencincial hidroelétrico do pais nascerem no estado, incluive os rios que abastecem a Usina Hidrelétrica de Itaipu.

A principal concessionária de energia elétrica do Estado – distribui eletricidade para 97% do Estado – é a Companhia Energética de Minas Gerais S/A (CEMIG), que tem como maior acionista o Governo de Minas Gerais. A área de concessão da CEMIG compreende 774 das 853 municipalidades mineiras. Estão interligados ao seu sistema 5.415 localidades e 5,3 milhões de usuários. A rede de distribuição da Companhia é a maior da América Latina, estendendo-se por mais de 315.000 km. A CEMIG possui ações de várias outras empresas de energia espalhadas pelo Brasil, dentre elas a Light, do Rio de Janeiro, e suas ações são negociadas em São Paulo e Nova York.

Os demais 79 municípios do Estado são atendidos por outras quatro concessionárias, sendo a maior delas a Energisa, qua atende a 67 municípios da Zona da Mata do estado.

Demografia

Ouro Preto, tombada pela UNESCO.

Ouro Preto, tombada pela UNESCO.

Ver artigo principal: Demografia de Minas Gerais

Como todos os demais estados da região Sudeste do Brasil, Minas Gerais apresenta alta taxa de urbanização, que se acelerou em um crescimento explosivo entre os anos 60 e 80. Esse fenômeno causou distorções com relação ao acesso universal à infra-estrutura urbana.

As regiões mais densamente povoadas são a Metalúrgica (Central), Campo das Vertentes, Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba, Zona da Mata e Sul. As menores taxas de ocupação populacional encontram-se no Norte do estado.

O estado possui 13.175.268[7] eleitores, o segundo maior colégio eleitoral do país, superado apenas por São Paulo.

Etnias

De acordo com o PNAD 2006:

Cor ou Raça[8] Porcentagem
Branca 46,2%
Parda 45,0%
Preta 8,4%
Amarela ou indígena 0,3%

Em relação ao século XVIII, o historiador britânico Kenneth Maxwell escrevera que a sociedade mineira compunha “um complicado mosaico de grupos e raças, de novos imigrantes brancos e de segunda e terceira gerações de americanos natos, de novos escravos e de escravos nascidos em cativeiros”(…)[9].

Do ponto de vista racial, os brancos e pardos são maioria no estado. A maior parte da população mineira é descendente de colonos portugueses originários do Norte de Portugal (particulamente do Minho)[10] e de escravos africanos, sobretudo sudaneses da Bahia e bantos da África, vindos durante a época da mineração, no século XVIII[11]. Além destes, contribuíram para a diversidade da população mineira imigrantes, sobretudo italianos[12] bem como mamelucos e indígenas[13].

Religiões

Religião Porcentagem Número
Católicos 78,70% 14.091.479
Evangélicos 13,61% 2.437.186
Sem religião 4,60% 822.855
Espíritas 1,59% 284.336

Fonte: IBGE, 2000 (dados obtidos por meio de pesquisa de autodeclaração)[14].

A forte religiosidade católica dos colonos portugueses ainda predomina entre a população mineira, que tem uma das maiores porcentagens de seguidores do catolicismo no Brasil. As religiões evangélicas estão em franco crescimento, ao lado de minorias como ateus e espíritas.

Cultura de Minas Gerais

Glorificação da Virgem, de mestre Atade.

Glorificação da Virgem, de mestre Ataíde.

Esculturas em pedra-sabão do Mestre Aleijadinho em Congonhas, Minas Gerais.

Esculturas em pedra-sabão do Mestre Aleijadinho em Congonhas, Minas Gerais.

A miscigenação ocorrida em Minas Gerais entre povos indígenas, africanos e o colonizador português deixou marcas características na cultura mineira, influenciando as artes, a culinária e o folclore.

Artes

O barroco e o rococó

Um dos mais importantes acervos artísticos e arquitetônicos do Brasil colonial está abrigado nas cidades mineiras, destacando-se Ouro Preto, Mariana, Diamantina, Congonhas, Tiradentes, Sabará e São João del-Rei.

O arquiteto e escultor Antônio Francisco Lisboa, conhecido por Aleijadinho, é o nome mais importante do barroco mineiro, tanto por esculturas avulsas quanto por realizações de maior vulto, como os profetas em pedra sabão e os passos da Paixão em Congonhas e a concepção arquitetônica de igrejas como a de São Francisco de Assis em Ouro Preto. Suas obras estão presentes em diversas cidades da região do ouro.

Também no século XVIII, o pintor Manuel da Costa Ataíde destacou-se pela ornamentação em estilo rococó de forros das igrejas da região do ouro. Sua obra mais importante é a pintura em perspectiva Glorificação da Virgem, na igreja São Francisco de Assis em Ouro Preto.

Literatura

A literatura floresce em Minas Gerais já na época do ouro, através principalmente de poetas árcades como Tomás Antônio Gonzaga, Alvarenga Peixoto e Cláudio Manoel da Costa.

Modernamente, Minas Gerais deu sua contribuição à literatura brasileira através de escritores famosos, dentre eles:

Música

Minas Gerais tem uma rica tradição musical. No século XVIII se destaca a obra barroca de Lobo de Mesquita. A partir do século XIX, as bandas de música se desenvolvem a ponto de serem hoje um dos marcos de identidade cultural do Estado. Na primeira metade do século XX se destacam o samba, o chorinho e as marchinhas com os compositores Ary Barroso, Ataulfo Alves e Rômulo Pais.

Nos anos 70, surge em Belo Horizonte o movimento Clube da Esquina, cujas maiores influências eram a bossa nova e os Beatles. Também nessa época, Clara Nunes firma-se como intérprete de grande sucesso principalmente de samba.

Nos anos 80, a banda de heavy metal Sepultura tornou-se a primeira banda brasileira a fazer sucesso no exterior, a banda de heavy metal Sarcofago foi uma das mais influentes bandas de Black Metal mundial, e ocorre também uma revalorização da cultura dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri com Paulinho Pedra Azul, Saulo Laranjeira e Rubinho do Vale.

Nos anos 90, surgiram diversas bandas de pop rock em Minas, como Skank, Jota Quest, Pato Fu e Tianastácia. Mais recentemente merecem destaque a cantora de MPB Ana Carolina, o violeiro Chico Lobo, Tambolelê e Maurício Tizumba, com uma mistura de congado e pop.

O estado também é conhecido por cativar públicos específicos e fiéis como o da música eletrônica e do Rock Progressivo. Esse último gênero ficou marcado pela criação de bandas que se tornaram expoentes nacionais na década de 70 e 80, como o Sagrado Coração da Terra, de Marcus Viana, e O Terço, de Flávio Venturini. Atualmente, bandas como o Cartoon e o Cálix continuam propagando o estilo com músicas e discos autorais para platéias de todo o país.

Artes-cênicas

Desde o final dos anos 1970 até os dias atuais, Minas Gerais também passou a se destacar na cultura nacional através da formação de diferentes grupos teatrais, de dança e de teatro de bonecos. Entre eles, ganharam grande projeção grupos de dança como o Grupo Corpo, que todos os anos excurssiona a sua temporada por diferentes países, Cia de Dança do Palácio das Artes, 1º Ato, grupos de teatro como o Grupo Galpão e o Espanca! e de bonecos, como o Grupo Giramundo e o Armatrux.

Regularmente, acontece em Belo Horizonte grandes eventos que têm o objetivo de difundir as artes-cênicas produzidas no estado, bem como trazer grandes atrações para apresentações nos palcos locais. Dessa forma destacam-se a “Campanha de Popularização do Teatro e da Dança”, o “Festiva de Circo”, “FID – Fórum Internacional da Dança”, “FIT – Fórum Internacional de Teatro”, “FAN – Festival de Arte Negra” e o “Verão Arte-Contemporânea”.

Cinema

Os nomes de Humberto Mauro e João Carriço se destacam na história do cinema mineiro, sendo pioneiros do cinema nacional. Humberto Mauro inicia suas primeiras filmagens em 1925, fundando a Phebo Sul América. Após suas primeiras filmagens em Cataguases, vai em 1929 trabalhar no Rio de Janeiro. Seu contemporâneo João Carriço, com o lema “Cinema para o povo”, lançou a Carriço Filmes, em Juiz de Fora, produzindo cinejornais e documentários no início do século XX. Fundou em 1927 o Cine Teatro Popular, com 500 lugares, com exibições a preços populares[15].

Folclore, artesanato, culinária

Cavalhada em Januária

Cavalhada em Januária

A religiosidade tem influência marcante nas principais manifestações culturais do povo mineiro, principalmente nas festas folclóricas. Além das tradicionais festas juninas e da folia de reis, destacam-se a Festa do Divino, o congado e a cavalhada.

O artesanato está presente em diversas regiões de Minas Gerais, com produção baseada em pedra-sabão, cerâmica, madeira e fibras vegetais. De Diamantina são famosos os tapetes arraiolos, de Tiradentes destacam-se os objetos em prata, e da região do Vale do Jequitinhonha as peças em madeira e principalmente cerâmica.

Na cozinha mineira a carne de porco é muito presente, sendo famosos o tutu com lombo de porco, a costelinha de porco e o leitão a pururuca. Também são apreciados a vaca atolada, o feijão tropeiro com torresmo, lingüiça e couve, o frango ao molho pardo com angu de fubá e o frango com quiabo ensopado e arroz com pequi. São famosos os doces mineiros, especialmente o doce de leite, como o produzido em Viçosa, a goiabada, a ambrosia. O pão-de-queijo é uma das principais referências da cozinha mineira[16].

Museus

Museu da Inconfidência em Ouro Preto.

Museu da Inconfidência em Ouro Preto.

Minas Gerais é um dos estados com maior número de museus do país, dedicados não apenas à história mineira, mas também às artes e às ciências. Destacam-se o Museu Mariano Procópio, o primeiro fundado no estado, o Museu da Inconfidência, com importante acervo do século XVIII, o Museu de Arte da Pampulha, dentre muitos outros.

Veja Lista de museus de Minas Gerais

Hino

Ver artigo principal: Hino do estado de Minas Gerais

Esporte mineiro

Paraná

SAIBA MAIS…

O Paraná é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Está situado na região Sul do país e tem como limites São Paulo (a norte e nordeste), oceano Atlântico (leste), Santa Catarina (sul), Argentina (sudoeste), Paraguai (oeste) e Mato Grosso do Sul (noroeste). Ocupa uma área de 199.314 km².

Sua capital é Curitiba e outras importantes cidades são Londrina, Maringá, Foz do Iguaçu, Ponta Grossa, Cascavel, Guarapuava e Paranaguá.

O Paraná é o quinto estado mais rico do Brasil, está atrás de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. O Paraná apresenta uma estreita planície no litoral, e a serra do Mar é a borda dos Planaltos e Serras de Leste-Sudeste. Após a Depressão Periférica, no centro-leste do estado, surgem os Planaltos e Chapadas da Bacia do Paraná.

Os rios da Bacia Hidrográfica do Rio Paraná drenam a quase totalidade do estado. Os principais cursos d’água são, além do próprio rio Paraná, o Paranapanema, o Iguaçu e o Ivaí.

O clima paranaense é predominantemente subtropical úmido. A temperatura varia entre 14°C e 22°C, e o clima é mais frio na porção sul planáltica. Os índices pluviométricos oscilam de 1.500 mm a 2.500 mm anuais.

Originalmente, cerca de metade do território paranaense era recoberto pela Mata de Araucárias. Nas partes mais elevadas dos planaltos, manchas de campos são comuns.

Ver artigo principal: História do Paraná

Durante o século XVI, o Paraná não despertava grande interesse nos portugueses que vinham para o Brasil. Os espanhóis fundaram alguns núcleos de povoamento que não se desenvolveram. No século XVII, os bandeirantes descobriram ouro no Paraná[1] e, para extraí-lo, tentaram escravizar e catequizar os indígenas locais. O Tratado de Madri, assinado em 1750, deu à Coroa portuguesa a posse do Paraná, que, então, integrava a capitania de São Paulo[2].

No século XVII, descobriu-se na região do Paraná uma área aurífera, anterior ao descobrimento das Minas Gerais, que provocou o povoamento tanto no litoral quanto no interior[3]. Com o descobrimento das Minas Gerais, o ouro de Paranaguá perdeu a importância[4]. As famílias ricas, que possuíam grandes extensões de terra, passaram a se dedicar à criação de gado, que logo abasteceria a população das Minas Gerais. Mas apenas no século XIX as terras do centro e do sul do Paraná foram definitivamente ocupadas pelos fazendeiros.

No fim do século XIX, a erva-mate dominou a economia e criou uma nova fonte de riqueza para os líderes que partilhavam o poder. Com o aparecimento das estradas de ferro, ligando a região da araucária aos portos e a São Paulo, já no final do século XIX, ocorreu novo período de crescimento.

A partir de 1850, o governo provincial de São Paulo empreendeu um amplo programa de colonização, especialmente de alemães, italianos, poloneses e ucranianos, que contribuíram decisivamente para a expansão da economia paranaense e para a renovação de sua estrutura social.

O Paraná era parte da província de São Paulo, da qual se desmembraria apenas em 1853. Nessa época, a produção de café começou a ganhar destaque. O rápido desenvolvimento da cultura cafeeira atraiu milhares de imigrantes das províncias do Sul, do Sudeste e do Nordeste do país.

O principal conflito ocorrido no Paraná foi a Guerra do Contestado (1912-1916), um dos eventos mais significativos da história do Brasil no século XX, no limite com o estado de Santa Catarina. Ao longo do século XX, o Paraná destacou-se pela criação de empresas agrícolas, muitas vezes de capital estrangeiro, o que acelerou o processo de concentração de terras e de renda. Durante as décadas de 1970 e 1980, milhares de pequenos camponeses deixaram o campo em direção às cidades ou a outros estados e até países. No final do século XX e início do XXI, o Paraná atraiu muitos investimentos externos, e indústrias automobilísticas instalaram-se no estado.

Primeiros tempos

Até meados do século XVII, litoral sul da capitania de São Vicente, hoje pertencente ao estado do Paraná, foi esporadicamente visitado por europeus que buscavam madeiras de lei. No período de domínio espanhol, foi estimulado o contato dos vicentinos com a área do rio da Prata e tornou-se mais freqüente o percurso da costa meridional, cuja exploração intermitente também seria motivada pela procura de índios e de riquezas minerais. Do litoral os paulistas adentraram-se para oeste, em busca de indígenas, ao mesmo tempo que, a leste, onde hoje estão Paranaguá e Curitiba, dedicaram-se à mineração.

As lendas sobre a existência de grandes jazidas de ouro e prata atraíram à região de Paranaguá numerosos aventureiros. O próprio Salvador Correia de Sá, que em 1613 assumira a superintendência das minas do sul do Brasil, ali esteve durante três meses, enquanto trabalhava com cinco especialistas que fizera vir de Portugal. Não encontrou, porém, nem uma onça de ouro. Sob o governo do marquês de Barbacena, foi para lá enviado o espanhol Rodrigo Castelo Blanco, grande conhecedor das jazidas do Peru, que em 1680 escreveu ao rei de Portugal para também desiludi-lo de vez sobre a lenda das minas de prata.

No fim do século XVII, abandonados os sonhos de grandes riquezas minerais, prosseguiu a cata do ouro de aluvião, dito “de lavagem”, mediante a qual os escassos habitantes do lugar procuravam recursos para a aquisição de produtos de fora. Os índios que escapavam ao extermínio eram postos na lavoura. Os escravos africanos começaram a ser utilizados no século XVIII e já em 1798 o censo revelava que seu número, em termos relativos, superava o dos índios.

A vila de Paranaguá, criada por uma carta régia de 1648, formou com o seu sertão – os chamados campos de Curitiba, a quase mil metros de altitude – uma só comunidade. Prevaleceu em Paranaguá o cultivo das terras e, nos campos, a criação de gado. Pouco a pouco, Curitiba, elevada a vila em 1693, transformou-se no principal núcleo da comunidade paranaense, e para isso foi fator decisivo a grande estrada do gado que se estabeleceu entre o Rio Grande do Sul e Sorocaba.

Castro é a primeira cidade verdadeiramente paranaense, a fundação do município ocorreu em 1778.

Ciclo das tropas

Monumento ao Tropeiro na cidade da Lapa (PR).

Monumento ao Tropeiro na cidade da Lapa (PR).

A descoberta das minas de ouro de Minas Gerais teve como uma de suas conseqüências a grande demanda de gado eqüino e vacum. Recorreu-se então aos muares xucros da região missioneira do sul, tocados pela estrada Viamão-Sorocaba, aberta em 1731. Segundo Brasil Pinheiro Machado, a construção dessa estrada foi “acontecimento relevante na história paranaense”. Desligou Curitiba do ciclo litorâneo, distanciando-a socialmente de Paranaguá e incorporando-a ao sistema histórico das guerras de fronteira, dando-lhe oportunidade de uma marcha para o sul, para o norte e para oeste, de maneira que Curitiba passa a significar o caráter de toda a região que será a futura província”.

Inaugurava-se assim o ciclo das tropas na história paranaense, que se estendeu até a década de 1870, quando começou a era do transporte ferroviário. Numerosos habitantes dedicaram-se ao rendoso negócio de comprar muares no sul, inverná-los em seus campos e revendê-los nas feiras de Sorocaba. Foi essencialmente com a disseminação das fazendas de criação e invernagem que se fez a ocupação do território. Com base na propriedade das pastagens e no trabalho de escravos negros e índios, estabelecem-se as famílias que detêm o poder regional.

Graças às tropas que se estabeleciam ao torno de alguns rios, surgiram cidades como a Lapa e Castro.

Expansão da atividade pastoril

Em princípio do século XIX, com o recrudescimento da guerra no sul, tornou-se necessária, como parte da estratégia portuguesa, a ocupação das terras que pelo Tratado de Madri pertenciam a Portugal, mas permaneciam abandonadas desde a destruição das missões jesuíticas pelos bandeirantes.

Com o tríplice objetivo de ocupar o território, subjugar os índios e abrir caminho para as missões, em junho de 1810 uma operação militar atingiu os campos de Guarapuava, que logo a seguir foram doados em sesmarias. Os índios capturados foram distribuídos “pelos mais abonados moradores” e três décadas depois a região estava ocupada. Tratava-se então de conquistar aos indígenas os campos de Palmas, o que foi feito em 1839 por duas sociedades particulares, rivais, que recorreram à arbitragem para evitar choque armado entre seus componentes. Completou-se assim em meados do século XIX, e graças à atividade pastoril, a ocupação dos campos do interior.

Província do Paraná

Por alvará de 19 de fevereiro de 1811, foi criada a comarca de Paranaguá e Curitiba, pertencente à capitania de São Paulo. A 6 de julho do mesmo ano a câmara municipal de Paranaguá dirigiu-se ao príncipe regente para pedir a emancipação da comarca e a criação de nova capitania. Dez anos depois, o movimento, liderado por Floriano Bento Viana, formulou abertamente sua reivindicação separatista, mas ainda sem obter êxito.

Apesar da atividade política expressa em sucessivas diligências e petições que tinham em vista a emancipação político-administrativa, e mesmo após a independência, continuaram os então chamados “parnanguaras” submetidos aos comandantes da tropa local, uma vez que o governo provincial estava longe e desinteressado daquelas terras. A importância política e estratégica da região avultava com os anos e evidenciava-se com acontecimentos que repercutiram no plano nacional, como as revoluções farroupilha, de 1835 a 1845, e liberal, em 1842.

Paralelamente, a economia paranaense, a par do comércio de gado, ganhava incremento com a exportação da erva-mate nativa para os mercados do Prata e do Chile. Eram feitas promessas de emancipação, enquanto prosseguiam as representações e a luta no Parlamento. Finalmente, a 28 de agosto de 1853 foi aprovado o projeto de criação da província do Paraná, que teria como capital provisória (que depois seria confirmada) a cidade de Curitiba.

A 19 de dezembro do mesmo ano chegou à capital Zacarias de Góis e Vasconcelos, primeiro presidente da província, que desde logo se empenhou em tomar medidas destinadas a impulsionar a economia local e conseguir recursos para as ações administrativas que se faziam necessárias. Procurou encaminhar para outras atividades, mormente de lavoura, parte da mão-de-obra e dos capitais que se empregavam no preparo e comércio da erva-mate. O mais lucrativo negócio da província continuava a ser, no entanto, a invernada e a venda de muares para São Paulo. Essa atividade chegou ao ponto mais alto na década de 1860 e só entrou em declínio no final do século.

Durante o período provincial, o governo do Paraná não alcançou a necessária continuidade administrativa, já que a presidência da província, de livre escolha do poder central, teve nada menos de 55 ocupantes em 36 anos. Os liberais paranaenses organizaram-se sob a liderança de Jesuíno Marcondes e seu cunhado Manuel Alves de Araújo, pertencentes à família dos barões de Tibagi e Campos Gerais, na época a mais poderosa oligarquia na região. Os conservadores eram chefiados por Manuel Antônio Guimarães e Manuel Francisco Correia Júnior, de famílias que controlavam o comércio do litoral.

Crise na sociedade pastoril

A decadência do comércio de muares acarretou crise em toda a sociedade pastoril do Paraná. O grande patrimônio indiviso da família patriarcal, que abrangia vários núcleos familiares, já não podia prover a subsistência de todos. Filhos de fazendeiros emigraram para as cidades, para São Paulo e para o Rio Grande do Sul. Desde o início do século XIX o Paraná vinha recebendo imigrantes, dentro da política de preenchimento dos vazios demográficos. Eram açorianos, alemães, suíços e franceses, mas em pequeno número e sem condições de prosperidade.

Em meados daquele século, embora contasse com uma população de cerca de sessenta mil habitantes, o Paraná continuava, do ponto de vista humano, um deserto irregularmente interrompido por dezenove pequenos oásis situados a distâncias imensas uns dos outros, distâncias literalmente intransponíveis, pois, além dos “caminhos históricos”, que dentro em pouco se saberia não serem os “caminhos econômicos”, nada havia que se pudesse chamar de rede de comunicações.

Esses dezenove oásis eram representados pelas duas cidades (Curitiba e Paranaguá); pelas sete vilas (Guaratuba, Antonina, Morretes, São José dos Pinhais, Lapa, Castro e Guarapuava); pelas seis freguesias (Campo Largo, Palmeira, Ponta Grossa, Jaguariaíva, Tibagi e Rio Negro) e pelas quatro capelas curadas (Guaraqueçaba, Iguaçu, Votuverava e Palmas).

Curitiba tinha, na época, seis mil habitantes, e Paranaguá, 6.500. A população das vilas, freguesias e capelas oscilava, em geral, entre mil e cinco mil habitantes, de forma que a densidade efetiva, nos centros urbanos incipientes, era bem maior do que a média estatística (0,3 pessoa por quilômetro quadrado) faria supor. Em compensação, na maior parte do território o vazio era absoluto. Eram os campos gerais, a floresta, e a serra do Mar.

Colonização

Descendentes de ucranianos na cerimônia de bênção dos alimentos na véspera da Páscoa de 2006, em Curitiba.

Descendentes de ucranianos na cerimônia de bênção dos alimentos na véspera da Páscoa de 2006, em Curitiba.

De Immigrant (O Imigrante), moinho em estilo holandês na colônia neerlandesa de Castrolanda, em Castro.

De Immigrant (O Imigrante), moinho em estilo holandês na colônia neerlandesa de Castrolanda, em Castro.

Na segunda metade do século XIX estimulou-se um tipo de colonização orientada para a criação de uma agricultura que suprisse as necessidades de abastecimento. Providências conjuntas dos governos imperial e provincial permitiram o estabelecimento de núcleos coloniais nas proximidades dos centros urbanos, sobretudo no planalto de Curitiba, constituídos de poloneses que se instalaram principalmente na região norte de Curitiba formando bairros como Santa Cândida, Tingui e outros da região, alemães, italianos deram origens a bairros nobres como Santa Felicidade e também a cidades da região metropolitana como São José dos Pinhais e Colombo que foi a maior colônia italiana do Paraná no final do século XIX até o século XX e, em grupos menores, suíços, franceses e ingleses. Esses contingentes de imigrantes imprimiram à fisionomia étnica do Paraná uma notável variedade e em alguns lugares do Paraná, por exemplo, na cidade de Castro e arredores se fala somente o holandês e em algumas outras regiôes do estado se fala somente o alemão, italiano, ucraniano, polonês e até o japonês sem contar as línguas nativas de tribos indígenas.

O número de escravos diminuiu muito, a partir da metade do século, sobretudo em virtude de venda ou arrendamento para outras províncias. Um relatório do presidente do Paraná, em 1867, assinalou que o imposto arrecadado sobre escravos que seguiam para São Paulo “era quase igual ao imposto sobre animais”.

A vinda de colonos atendia assim ao problema, agravado pela evasão da mão-de-obra escrava, da escassez e carestia dos produtos agrícolas. Nas últimas décadas do século XIX, a construção de estradas de ferro e linhas telegráficas empregou colonos trazidos por sociedades de imigração. Nesse período e no início do século XX, estabeleceram-se no Paraná mais de quarenta núcleos coloniais.

República

Desde o manifesto de 1870 ocorreram no Paraná manifestações esporádicas, e sem organicidade, de simpatia pela república. Mesmo depois da fundação dos jornais Livre Paraná, em Paranaguá, e A República, em Curitiba, e da criação de clubes republicanos nas duas cidades, o movimento não chegou a se aprofundar. Alguns paranaenses se destacaram na campanha republicana, mas fora da província. Na Assembléia Provincial, contavam os republicanos com um só deputado, Vicente Machado da Silva Lima, eleito pelo Partido Liberal, e que foi figura de projeção nos primeiros anos do novo regime.

O estado sofreu as conseqüências das várias crises políticas que marcaram os primeiros tempos da república e somente em abril de 1892 viu promulgada sua constituição estadual, que vigorou até a vitória do movimento revolucionário de 1930. Durante a revolução federalista, o Paraná foi palco de renhidos combates, já que em seu território se deu o encontro de tropas federalistas e legalistas. Abandonado o estado pelos federalistas, fez-se o acerto de contas. Os “picapaus” assumiram então o poder e desencadearam a repressão contra os “maragatos”. Apesar de eventuais conciliações, tal divisão durou até 1930.

A província do Paraná deveria ter os mesmos limites da antiga comarca, em conseqüência do que se prolongou até a segunda década do século XX uma complicada questão de fronteiras com Santa Catarina, surgida desde a descoberta e ocupação dos campos de Palmas. Com base na carta régia de 1749, Santa Catarina considerava seu o “sertão” que correspondia à costa, enquanto o Paraná se apoiava no princípio do uti possidetis. Com a república, ambos os estados exerceriam sua competência de distribuir terras num mesmo território.

Por três vezes Santa Catarina obteve ganho de causa no Supremo Tribunal Federal, mas o Paraná embargou as decisões. Nessa área é que se iria travar a campanha do Contestado. Finalmente, em 1916, por decisão arbitral do presidente da república, fez-se a partilha da região em litígio, com o que ficou encerrada a questão.

Questões agrárias

Em 1920, o Paraná ocupava o 13º lugar em população no Brasil, com cerca de 700 mil habitantes; em 1960, o estado havia passado para o quinto lugar, com mais de 4,2 milhões de habitantes. Esse aumento não se deveu apenas ao crescimento natural, mas a intensas correntes migratórias internas, pelas quais se deslocaram habitantes de outros estados para áreas até então incultas do Paraná.

Desde o final do século XIX, lavradores paulistas e mineiros iniciaram a formação de fazendas de café no norte do estado, rico em terras férteis, de solo conhecido como “terra roxa”. A esse tipo de ocupação veio juntar-se a colonização dirigida, tanto oficial como particular. Ocorreram também novas levas de colonos imigrantes, notadamente japoneses, italianos e alemães, e com a experiência de empreendimentos semelhantes na Austrália e na África, em 1924, Lord Lovat visitou o Paraná e três anos depois obteve do governo uma concessão de 500 mil alqueires de terra no norte do estado. Fundou então a Paraná Plantation Ltd. que, ao lado da Companhia de Terras do Norte do Paraná e da Companhia Ferroviária do Norte do Paraná, executou o plano de colonização dessa zona. O eixo da operação foi Londrina, que a partir daí cresceu em ritmo vertiginoso.

Na região dos rios Iguaçu e Paraná, as matas eram há muito exploradas por empresas que comercializavam madeira e mate. Desde a década de 1920 ocorria ali a ocupação espontânea por colonos gaúchos e catarinenses, em geral descendentes de alemães e italianos. Após a revolução de 1930, anuladas numerosas concessões de terras, passou-se, por iniciativa do governo estadual e de particulares, à ocupação organizada, dirigida para a agricultura variada e a criação de animais de pequeno porte.

Revolução de 1930 e intervenção

Deflagrada a revolução em outubro de 1930, já no dia 5 do mesmo mês seus partidários, com apoio de forças militares, apossaram-se do governo estadual paranaense, instalaram um governo provisório e substituíram as autoridades no interior. As finanças públicas estavam em completo desequilíbrio e a economia em crise. Havia ainda a grave questão das terras devolutas do estado. O general Mário Tourinho, primeiro interventor, foi substituído no governo por Manuel Ribas. Este, eleito em 1935, foi confirmado como interventor pelo Estado Novo, em 1937, e permaneceu no cargo até 1945.

Na década de 1960, todas as terras do Paraná já estavam ocupadas, mas, em seu processo de ocupação, a par do colono que comprava um ou mais lotes, surgiu também a figura do “posseiro”, que tendia a se instalar no terreno que julgava do estado ou sem dono. Passou a ocorrer também a venda múltipla, a compra do “não dono” e a “grilagem” em grande escala. Assim, a época foi também de conflitos e lutas agrárias, que se prolongaram por toda a segunda metade do século XX, sem qualquer solução duradoura no meio dos avanços da economia e da sociedade.

História recente

À medida que o governo estadual procurava tornar o Paraná o celeiro agrícola do país e um produtor de madeira capaz de levar a efeito amplos reflorestamentos, os conflitos fundiários não só continuaram como cresceram em intensidade. Centenas de milhares de pequenos proprietários rurais e trabalhadores sem terra encenaram um êxodo rural que provocou um esvaziamento demográfico em mais de cinqüenta municípios. Tais emigrantes seguiram principalmente para o Centro-oeste e para a Amazônia, levando consigo sua concepção produtiva.

Mais tarde, porém, a soja aumentou sensivelmente o espaço que ocupava. Em 1980, a colheita de soja atingia o recorde de 2.500kg por hectare, maior do que a marca norte-americana até então alcançada, enquanto a de trigo colocava o Paraná no primeiro lugar nacional, com 57% da produção de todo o país. Também a indústria dava saltos expressivos, como a instalação, em 1976, de uma fábrica de ônibus e caminhões em Curitiba e o início do funcionamento, em 1977, da refinaria Presidente Getúlio Vargas. Realizaram-se ainda nessa época os primeiros grandes melhoramentos que fizeram da capital paranaense um modelo de novas soluções urbanísticas: inaugurou-se a primeira parte das ciclovias da cidade e surgiu o sistema de ônibus expressos.

Aumentaram, no entanto, as disputas de terra, até mesmo em reservas indígenas, assim como denúncias de graves perturbações ambientais causadas pelo crescente número de barragens para construção de usinas hidrelétricas–nos rios Iguaçu, Paranapanema, Capivari e Paraná. Em 1982, o desaparecimento do salto de Sete Quedas, imposto pela necessidade de formar o imenso reservatório da represa de Itaipu, provocou intenso movimento de protesto.

Nos últimos anos do século XX, o estado do Paraná exibia um bom quadro social e econômico, com estabilização populacional e modernização agrícola e industrial, com destaque para a instalação de montadoras de veículos automotores no estado, ao mesmo tempo em que a economia paranaense procurava tirar partido das oportunidades oferecidas pelo Mercosul.

Pernambuco

Estado do Pernambuco

SAIBA MAIS…
Pernambuco é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Está localizado no centro-leste da região Nordeste e tem como limites os estados da Paraíba e Ceará (NO), oceano Atlântico (L), Alagoas e Bahia (S), e Piauí (O) e ocupa uma área de 98.311 km² (pouco menor que a Coréia do Sul). Também faz parte do seu território o arquipélogo de Fernando de Noronha. Sua capital é a cidade do Recife (a sede administrativa é o Palácio do Campo das Princesas).A origem do nome Pernambuco é controversa, alguns estudiosos afirmam que era a denominação nas línguas indígenas locais da época do descobrimento para o pau-brasil (Caesalpinia echinata). A mais aceita no entanto é que o nome vem do tupi Paranã-Puca, que significa “onde o mar se arrebenta”, uma vez que a maior parte do litoral do estado é protegida por paredões de recifes de coral.

Os municípios mais populosos são Recife, Jaboatão dos Guararapes, Olinda, Paulista, Caruaru, Petrolina, Cabo de Santo Agostinho, Garanhuns e Vitória de Santo Antão.

História

Ver artigo principal: História de Pernambuco
Mapa holandês mostrando Olinda em 1650.

Mapa holandês mostrando Olinda em 1650.

Maurcio de Nassau

Maurício de Nassau

A história de Pernambuco começa com a expedição de Gaspar de Lemos, em 1501, que teria criado feitorias ao longo da costa da colônia portuguesa e muito provavelmente em Igarassu, local ao qual, anos depois, Cristóvão Jacques estaria incumbido da sua defesa. Erguida, provavelmente, na entrada do Canal de Santa Cruz, em Igarassu a feitoria teria por objetivo estabelecer vínculos com os nativos, obter informações acerca das possíveis riquezas do interior e vigiar o litoral de possíveis investidas de navios de outras nações. É oficializada em 1532, quando foi criada a capitania de Pernambuco (ou Nova Lusitânia), doada a Duarte Coelho, que fundou Igarassu e Olinda e iniciou a cultura da cana-de-açúcar. Em 1630, a capitania foi invadida pela Companhia das Índias Ocidentais, que, desembarcando na praia de Pau Amarelo, derrotou a frágil resistência portuguesa na passagem do Rio Doce, invadiu sem grandes contratempos Olinda e derrotou a pequena, porém aguerrida, guarnição do forte (que depois passaria a ser chamado de Brum), porta de entrada para o Recife através do istmo que ligava as duas cidades. (Mauritsstad, ou Mauricéia), até então com poucos habitantes portugueses. Maurício de Nassau ajudou a desenvolver a cidade, com diversas obras de infra-estrutura, benefícios fiscais e empréstimos. Neste período, Recife foi considerada a mais próspera e urbanizada cidade das Américas e com a maior comunidade judaica de todo o continente. Por diversos motivos, sendo um dos mais importantes a exoneração de Maurício de Nassau do governo da capitania pela WIC, o povo de Pernambuco se rebelou contra o governo, juntando-se à fraca resistência ainda existente. Com a chegada gradativa de reforços portugueses, os holandeses por fim foram expulsos em 1654, na segunda Batalha dos Guararapes. Foi nesta ocasião que se diz ter nascido o Exército brasileiro.

Após a expulsão holandesa, o estado passou a declinar junto com restante do Nordeste, devido à transferência do centro político-econômico para o Sudeste, o que resultou em conflitos como a Confederação do Equador, movimento separatista pernambucano. A qualidade do açúcar refinado holandês, agora produzido nas Antilhas, superior ao mascavo brasileiro, também ajudou a acelerar a decadência do estado, que era baseado nos latifúndios de cultivo de cana-de-açúcar. Buscando novos meios de renda, aumenta o comércio no estado gradativamente. Este efeito foi estopim de revoltas como a Guerra dos Mascates.

Atualmente há diversos Engenhos de cana-de-açúcar abertos a visita, permitindo um mergulho profundo na cultura da região através do turismo rural.

Capitania de Pernambuco

Ver artigo principal: capitania de Pernambuco

Em 1501, quando a expedição de Gaspar de Lemos funda feitorias no litoral da colônia portuguesa na América, tem início o processo de colonização de Pernambuco. Anos depois, Critóvão Jaques é incubido de defender o litoral pernambuco de embarcações de outras nações. A feitoria de Cristóvão Jacques, erguida na entrada do Canal de Santa Cruz, em Itamaracá, tem por objetivo estabelecer um vínculo com os nativos, procurar informaçõpes acerca de possíveis riquezas no inteior e rechaçar possíveis investidas de outras nações à costa brasileira. Em1534, a capitania de Pernambuco foi doada a Duarte Coelho Pereira, influente navegador e soldado, português filho bastardo de família nobre do Entre-Douro e Minho, que fundou Igarassu, Olinda e Recife e iniciou a cultura da cana-de-açúcar, que teria importante papel na história econômica do país. A capitania de Pernambuco originalmente se estendia por 60 léguas entre o Rio Igaraçu e o Rio São Francisco, e era chamada Nova Lusitânia. Era responsável pela maior parte da produção de açúcar, o chamado ouro branco, na América e uma das capitanias mais florescentes. Depois de alguns anos a sua familia montaran uma fabrica de cimento.E colocaran o nome nassau para sua homenagen…

Domínio holandês

Ver artigo principal: Invasões holandesas do Brasil
Invasões Holandesas em Olinda.

Invasões Holandesas em Olinda.

Em 1630 a Companhia das Índias Ocidentais volta seus interesses para a mais promissora das capitanias da Colônia Portuguesa na América. Por ocasião da União Ibérica (1580 a 1640) os então chamados Países Baixos, antes dominados pela Espanha tendo depois conseguido sua independência através da força, vêem em Pernambuco a oportunidade para impor um duro golpe na Espanha, ao mesmo tempo em que tirariam o prejuízo do fracasso na Bahia. Em 26 de dezembro de 1629 partia de São Vicente, Cabo Verde, uma esquadra com 66 embarcações e 7.280 homens em direção a Pernambuco.

Restauração Pernambucana

Em 15 de maio de 1645, reunidos no Engenho de São João, 18 líderes insurretos pernambucanos assinaram compromisso para lutar contra o domínio holandês na capitania. Com o acordo assinado, começa o contra-ataque à invasão holandesa. A primeira vitória importante dos insurretos se deu no Monte das Tabocas, (hoje localizada no município de Vitória de Santo Antão) onde 1200 insurretos mazombos armados de armas de fogo, foices, paus e flechas derrotaram numa emboscada 1900 holandeses bem armados e bem treinados.

Mauritsstad, o Recife nassoviano.

Mauritsstad, o Recife nassoviano.

O sucesso deu ao líder Antônio Dias Cardoso o apelido de Mestre das Emboscadas. Os holandeses que sobreviveram seguiram para Casa Forte, sendo novamente derrotado pela aliança dos mazombos, índios nativos e escravos negros. Recuaram novamente para as casas-forte em Cabo de Santo Agostinho, Pontal de Nazaré, Sirinhaém, Rio Formoso, Porto Calvo e Forte Maurício, sendo sucessivamente derrotados pelos insurretos..
Por fim, Olinda foi recuperada pelos rebeldes. Cercados e isolados pelos rebeldes numa faixa que ficou conhecida como Nova Holanda, indo de Recife a Itamaracá, os invasores começaram a sofrer com a falta de alimentos, o que os levou a atacar plantações de mandioca nas vilas de São Lourenço, Catuma e Tejucupapo. Em 24 de abril de 1646, ocorreu a famosa Batalha de Tejucupapo, onde mulheres camponesas armadas de utensílios agrícolas e armas leves expulsaram os invasores holandeses, humilhando-os definitivamente. Esse fato histórico consolidou-se como a primeira importante participação militar da mulher na defesa do território brasileiro.

Ensino superior

Ver artigo principal: Universidades de Pernambuco

Pernambuco tem suas principais faculdades e universidades fundadas no século XIX e XX. Algumas se destacaram nacionalmente. A centenária Faculdade de Direito do Recife, hoje vinculada à UFPE, fundada a 11 de agosto de 1827, foi o primeiro curso superior do Brasil, aprovada juntamente com a de São Paulo, ainda sob governo de Dom Pedro I. Nela importantes nomes da história brasileira estudaram, destacando o poeta, abolicionista e escritor baiano Castro Alves e o diplomata, escritor e político abolicionista Joaquim Nabuco.[2] A UFPE, que, completou 60 anos em 2006, é uma das mais antiga instituições federais do Brasil. Outra instituição importante é a UPE, Universidade de Pernambuco, antiga FESP, que é uma universidade estadual com campus avançados em várias cidades do interior do Estado. O CEFET-PE, antiga Escola Técnica Federal, além de se dedicar ao ensino técnico a quase 100 anos, tem oferecido com excelência cursos superiores tecnológicos. [3]

Saúde

Apesar da grande carência de instalações de saúde básicas no interior do estado, a capital possui dezenas de grandes hospitais e três grandes hospitais públicos (da Restauração, Barão de Lucena e Getúlio Vargas, além do Hospital das Clínicas, da UFPE) que atendem a enfermos de toda a Região Metropolitana e também dos oriundos do interior. O pólo de hospitais particulares, equipados com máquinas de última geração, faz da capital Recife o segundo maior pólo médico e hospitalar do Brasil. [5]

Economia

A economia se baseia na agricultura (cana-de-açúcar, mandioca), pecuária e criações, bem como na indústria (alimentícia, química, metalúrgica, eletrônica, têxtil). O pau-brasil despertou a cobiça dos europeus talvez mesmo antes da descoberta do Brasil.

A economia de Pernambuco, após ficar estagnada durante a “década perdida” de 1985 a 1995, vem crescendo rapidamente do final do século XX para o começo do século XXI. Em 2000, o PIB per capita era de R$ 3.673, totalizando um crescimento de mais de 40% nesse período, e mais de 10% ao ano.

Desde o início da dominação portuguesa, o estado foi basicamente agrícola, tendo destaque na produção nacional de cana-de-açúcar devido ao clima e ao solo tipo massapê. Nas últimas décadas, porém, essa quase dedicação exclusiva à produção de açúcar e álcool da cana-de-açúcar vêm terminando.

Vêm sendo explorados recentemente novas fontes de extrativismo, além de floricultura e o setor industrial em torno da empresa de Suape, fundada em 1979. Os principais empreendimentos são dos setores alimentício, químico, materiais elétricos, comunicações, metalúrgica e minerais não-metálicos. Também tem grande destaque internacional a produção irrigada de frutas ao longo do rio São Francisco – quase que totalmente voltada para exportação – concentrada no município de Petrolina, em parte devido ao aeroporto internacional, com grande capacidade para aviões cargueiros do município. O município de Gravatá é um dos principais produtores de flores temperadas do Nordeste. [7]

O crescimento da monocultura de cana-de-açúcar (aumento de 20% entre a safra de 1999 e a de 2000) vem diminuindo a cada ano, e eventualmente será nula, posteriormente tendendo a regredir. Perde espaço para a indústria, comércio e serviços no estado.

Indústria e tecnologia

Entre 1997 e 1999, a empresa de Suape – grande complexo industrial e portuário do litoral sul do estado – teve crescimento de 16,7%. O estado tem a segunda maior produção industrial do Nordeste, ficando atrás apenas da Bahia. No período de outubro de 2005 a outubro de 2006, o crescimento industrial do estado foi o segundo maior do Brasil – 6,3%, mais do dobro da média nacional no mesmo período (2,3%). [8]

Outro segmento que merece destaque é o da extração mineral. O pólo gesseiro de Araripina é o fornecedor de 95% do gesso consumido no Brasil.

O pólo de informática do Recife – Porto Digital – apesar de criado há apenas 6 anos, está entre os cinco maiores do Brasil. Emprega cerca de três mil pessoas, e tem 3,5% de participação no PIB do estado. [9]

Papel de Centralizador Econômico

Por sua posição geográfica e disposições históricas, o estado atua como um centralizador econômico no Nordeste há séculos. Num raio de 300KM do Recife, concentram-se 12 milhões de pessoas, R$ 54,7 bilhões de PIB, mais da metade dos centros de pesquisa do Nordeste, quatro grandes portos e dois aeroportos internacionais. Ao estender o raio para 800 km, temos 90% do PIB de toda a região Nordeste.[10]

Indicadores

PIB 1999
Agropecuária 7,7%
Indústria 33,3%
Comércio e Serviços 59%
Exportações 2001
Açúcar 40%
Petroquímicos 11%
Peixes e Crustáceos 10%
Frutas 9%
Materiais Elétricos 9%
Outros 21%
  • PIB – O Produto Interno Bruto de Pernambuco foi de R$ 42.260.926 mil em 2003 [11], correspondente a 2,7% do PIB nacional. Em 10 anos, o PIB aumentou mais de cinco vezes (1994-2004).
  • Exportações – O principal produto exportado pelo estado é a cana-de-açúcar cultivada na Zona da Mata. Em 2001, as exportações totalizaram US$ 335 milhões.

Energia elétrica

Após a privatização da CELPE (vendida para a espanhola Iberdrola), o Estado passou a comprar a maioria de sua energia da Termopernambuco, termelétrica do grupo Neoenergia, que por sua vez tem a CELPE como distribuidora, passando a ter uma das tarifas de energia elétrica mais caras do país.

Geografia

Ver artigo principal: Geografia de Pernambuco
Pernambuco
Ficha técnica
Área 98.938 km²
Relevo planície litorânea sedimentar limitada pelo Planalto da Borborema, que termina com a Depressão Sertaneja .
Ponto mais elevado Pico do Papagaio (Pernambuco), no município de Triunfo (1.260 m).
Rios principais São Francisco, Capibaribe, Ipojuca, Una, Pajeú.
Vegetação mangues e mata Atlântica no litoral, transição mata Atlântica-caatinga no Agreste e caatinga no Sertão.
Clima pseudotropical no litoral, tropical e tropical de altitude no Agreste, semi-árido no Sertão.
Municípios mais populosos Recife (1.533.580), Jaboatão dos Guararapes (665.387), Olinda (391.433), Paulista (307.744), Caruaru (289.152), Petrolina (268.004), Cabo de Santo Agostinho (172.150), Camaragibe (150.354), Garanhuns (128.398), Vitória de Santo Antão (125.563)
Hora local -3
Gentílico pernambucano
Flora tpica do Agreste do estado

Flora típica do Agreste do estado

Relevo acidentado de Gravatá, agreste, comum em boa parte do interior pernambucano. Alguns pontos do estado ultrapassam os 1200m

Relevo acidentado de Gravatá, agreste, comum em boa parte do interior pernambucano. Alguns pontos do estado ultrapassam os 1200m [12]

Praia de Boa Viagem, no Recife

Praia de Boa Viagem, no Recife

Pernambuco é um dos menores estados do país. Apesar disso, possui paisagens variadas: serras, planaltos, brejos, manchas de semi-aridez no interior, e algumas das mais belas praias do Brasil na sua costa. O estado tem altitude crescente do litoral ao sertão – as planícies litorâneas ficam ao nível do mar, e os planaltos e montanhas do interior ultrapassam os 1000m de altitude.

Faz divisa com Paraíba e Ceará ao norte, Alagoas e Bahia ao sul, Piauí ao oeste e o oceano Atlântico ao leste. Tem 187 km de costa, excluindo a costa do arquipélago de Fernando de Noronha. O arquipélago é visitado por turistas do mundo todo e nativos do estado, que em geral partem do porto do Recife Antigo em cruzeiros internacionais.

Relevo

O relevo é moderado: 76% do território estão abaixo dos 600m. O litoral é uma grande planície sedimentar, quase que em sua totalidade ao nível do mar, tendo alguns pontos abaixo do nível do mar. Nessas planícies estão as principais cidades do estado, como Recife e Jaboatão dos Guararapes. A altitude aumenta conforme aumenta a distância da costa. No Agreste há picos com 1200 m de altitude, e os planaltos tem cerca de 800 m de altitude.

A Zona da Mata é marcada por formações onduladas ou melonizadas, características denominadas pelo geógrafo Aziz AbSaber como Domínio dos Mares-de-Morro.

A principal formação geológica na faixa de transição da Zona da Mata para o Agreste é conhecido popularmente como Serra das Russas, porém, trata-se da borda ocidental do Planalto da Borborema, domo que corta alguns estados do Nordeste.

O Agreste localiza-se sobre este planalto, sua altitude média é de 400m, podendo passar dos 1000m nos pontos mais elevados. A estrutura geológica predominante é a cristalina, sendo responsável, junto com o clima semi-árido, por formações abruptas (pedimentos e pediplanos).

No Sertão as cotas altimétricas decrescem em direção ao Rio São Francisco, formando, em relação ao Planalto da Borborema uma área de depressão relativa. As formações geomorfológicas predominantes são os inselbergues, serras e chapadas, estas últimas aparecendo em áreas sedimentares.

Baixada Litorânea

Distinguem-se, de leste para oeste: praias protegidas pelos recifes; uma faixa de tabuleiros areníticos, com 40 a 60m de altura; e a faixa de terrenos cristalinos talhados em colinas, que se alteiam suavemente para oeste até alcançarem 200m no sopé da escarpa da Borborema. Tanto a faixa de tabuleiros como a de colinas são cortadas transversalmente por vales largos onde se abrigam amplas várzeas, chamadas planícies aluviais. Fortes contrastes observam-se entre os solos pobres dos tabuleiros e os solos mais ricos das colinas e várzeas. Nos dois últimos repousa a aptidão do litoral pernambucano para o cultivo da cana-de-açúcar, base de sua economia agrícola.

Planalto da Borborema

Ver artigo principal: Planalto da Borborema

Seu rebordo oriental, escarpado, domina a baixada litorânea com um desnível de 300m, o que lhe confere ao topo uma altitude de 500m. Para o interior, o planalto ainda se alteia mais e alcança média de 800m em seu centro, donde passa a baixar até atingir 600m junto ao rebordo ocidental. Diferem consideravelmente as topografias da porção oriental e da porção ocidental.

A leste, erguem-se sobre a superfície do planalto cristas de leste para oeste, separadas por vales, que configuram parcos relevos de 300m. Aproximadamente no centro-sul do planalto eleva-se o maciço dômico de Garanhuns, que supera a altitude de 1.000m.

Clima

O Estado está inserido na zona intertropical, logo apresenta predominantemente temperaturas altas, todavia o quadro climático é bem diversificado devido à interferência do relevo e das massas de ar. Na Zona da Mata o clima é predominantemente pseudotropical, com fortes chuvas no outono e inverno. Já no Agreste as condições climáticas são diversificadas por ser uma região de ecótone, apresentando áreas mais úmidas e outras mais secas. No Sertão, o clima é semi-árido quente, devido à retenção das precipitações pluviais no Planalto da Borborema e correntes de ar seco provenientes do sul da África, entre outros fatores menos importantes.

No agreste e sertão aparecem áreas de exceções – principalmente cidades com microclima de altitude, com temperaturas que podem chegar a 8°C durante o inverno [13] , como Triunfo, Garanhuns e Taquaritinga do Norte, que são considerados Brejos de Altitude. Outra exceção é a mesorregião do São Fransisco, mais úmida que as circundantes por conta do Rio São Francisco e a irrigação proveniente dele.

Hidrografia

Há poucos lagos e lagoas no estado, como a Lagoa do Araçá e a Lagoa Olho D’Água, ambas na Região Metropolitana do Recife. Na periferia do município do Recife encontram-se dois belos cartões postais do município, os Açudes do Prata e de Apipucos, sendo o primeiro pertencente ao Parque Dois Irmãos. Além disso, existe um conjunto de reservatórios distribuídos por todo o estado, com destaque para o Reservatório de Jucazinho, considerado o maior de Pernambuco, localizado na região Agreste, próximo ao município de Surubim. Os manguezais são abundantes em todo o litoral, porém foram praticamente extintos na RMR devido à urbanização (com a exceção do maior mangue urbano do Brasil, cercado por bairros da zona sul do município do Recife, como Boa Viagem). Porém, nos anos 90, houve um programa de re-implantação do mangue nas margens do Rio Capibaribe, desenvolvido pela prefeitura do Recife, trazendo de volta a vegetação ao rio por toda o município.

Rios

Ver artigo principal: Lista de rios de Pernambuco

São Francisco, Capibaribe, Ipojuca, Una, Pajeú e Jaboatão são os rios principais. O São Francisco é de importância vital para o interior do estado, principalmente para distribuição de umidade através de irrigação. Veja lista de rios de Pernambuco

Municípios mais populosas

As cinco cidades mais populosas do estado são: Recife (1.533.509), Jaboatão dos Guararapes (665.722), Olinda (392.510), Paulista (307.030) e Caruaru (289.655), segundo dados do IBGE de 2007.

Transportes

A principal forma de transporte do estado são rodovias. As mais importantes são a BR-101, que, avançando pela costa pernambucana, liga o norte ao sul do estado, passando pela RMR, e a BR-232, ligando a capital ao interior do estado, no sentido leste-oeste.

Aeroportos

O estado tem dois aeroportos internacionais. O Aeroporto Internacional dos GuararapesGilberto Freyre é o maior aeroporto do Norte-Nordeste, com uma pista de 3305 m e capacidade para 5 milhões de passageiros ao ano.[14] O Aeroporto de Petrolina possui a segunda maior pista de pouso do Nordeste e o seu principal emprego é no transporte da produção de frutas do Vale do São Francisco para o exterior.

Portos

Pernambuco apresenta dois portos marítimos: o de Suape, segundo maior do Brasil, localizado no município de Ipojuca, e o do Recife, um dos mais antigos do Brasil, que muitos estudiosos afirmam ter dado início ao Recife.

Malha viária do estado

Malha viária do estado

Rodovias

Ver artigo principal: Lista de Rodovias do Brasil

As mais importantes são a BR-101, na costa do estado, no sentido de norte-sul, passsando pela Grande Recife, e a BR-232, que se estende em sentido leste-oeste partindo da cidade do Recife, onde começa no trevo da avenida Abdias de Carvalho com a BR-101, em direção ao interior do estado. A ligação BR-316/122/407/428/110 faz a ligação das localidades da margem esquerda do São francisco em Pernambuco entre Petrolina e Petrolândia.

Rede ferroviária

O estado teve uma das primeiras ferrovias do país – a Recife-Cabo de Santo Agostinho, inaugurada a 8 de setembro de 1855, ainda no Brasil Império, construída para transporte de passageiros e carga. Logo após completada, foram iniciados os trechos Ipojuca-Olinda-Escada e em seguida Limoeiro-Ribeirão-Água Preta-Palmares. Em 1882, foi completado o trecho Palmares-Catende, seguido de Garanhuns (1887), Mimoso (1911), Arcoverde (1912) e Salgueiro. A novidade provocou curiosidade e festividade entre os recifenses. Em sua estréia, o trem da linha Recife-Cabo, partindo do Forte das Cinco Pontas transportou mais de 400 pessoas. A locomotiva partiu às 12h e 30 minutos depois atingiu o ponto de chegada, onde uma multidão aguardava.

Transnordestina
Ver artigo principal: Transnordestina

Consiste em 867km de ferrovias interligando o centro do Nordeste com o Sudeste. Foi sugerida já no século XIX, e permaneceu como promessa até os dias de hoje.

Imagem de satélite da Região Metropolitana do Recife, a mais populosa e a mais rica do Nordeste brasileiro

Imagem de satélite da Região Metropolitana do Recife, a mais populosa e a mais rica do Nordeste brasileiro

Metrô do Recife
Ver artigo principal: Metrô do Recife

Foi inaugurado em março de 1985, com a linha Werneck-Centro, de 6,2km de extensão. Seguiram-se construções de outras estações, e em outubro de 1986 chegou ao Terminal Integrado de Passageiros, TIP (rodoviária do Recife). Atualmente estão sendo feitas obras para a expansão da rede em direção ao aeroporto, apresentando projeto de integração com o mesmo.

Terminal Integrado de Passageiros

A unidade de integração metrô-ônibus foi inaugurada a outubro de 1986, sendo a segunda maior estação rodoviária do país. Ocupa 446.000 m², e possui diversas lojas em seus quatro pisos.

Litoral

O litoral do estado de Pernambuco tem cerca de 187 km de extensão, entre praias e falésias, zonas urbanas e locais praticamente intocados. Além das praias, possui o arquipélago de Fernando de Noronha, Patrimônio Natural da Humanidade, e suas 16 praias. Faz fronteira ao norte com a Paraíba e ao sul com Alagoas.

Litoral Sul

Resort na praia de Muro Alto.

Resort na praia de Muro Alto.

Recife Antigo. Ao fundo, Boa Viagem.

Recife Antigo. Ao fundo, Boa Viagem.

Praia de Muro Alto, vista para o sul.

Praia de Muro Alto, vista para o sul.

O litoral sul do estado, que têm cerca de 110km de praias, é famoso por diversas praias conhecidas nacional e internacionalmente, como Porto de Galinhas.

Turistas de todo o país se hospedam nos luxuosos hotéis e resorts do litoral. Conta também com importantes pólos industriais, principalmente petroquímicos, e o porto de Suape, de importância nacional.

Atualmente o litoral sul vive uma fase de progresso franco e rápido. Só na praia de Muro Alto, localizada no município de Ipojuca, foram investidos mais de R$ 70 mi pela iniciativa privada para a construção de resorts de nível internacional, aptos a receber hóspedes de todos os países. Através do Programa de Desenvolvimento Integrado do Turismo, no litoral sul foram investidos US$ 25 mi para obras de infra-estrutura, capacitação de mão-de-obra e preservação do patrimônio histórico. Com o Fundo de Amparo ao Trabalhador, foram capacitados cerca de 890 profissionais para a área de turismo. Pelo mesmo fundo, 2400 pessoas foram treinadas para trabalhar nas indústrias do litoral. [15]

Praia mais famosa do litoral sul, Porto de Galinhas ajuda a duplicar a população de Ipojuca todo verão. Os 60 mil habitantes do município desfrutam de 10 mil vagas de trabalho, diretas e indiretas, provenientes exclusivamente do turismo, ultrapassando a capacidade máxima de 7 mil postos oferecidos pelo secular trabalho nos latifúndios de cana-de-açúcar. Segundo a Associação da Indústria Hoteleira em Pernambuco (ABIH/PE), 90% da mão-de-obra empregada nos hotéis, restaurantes, lojas de artesanato e demais segmentos turísticos são oriundos da próprio município de Ipojuca e arredores. [16]

As principais praias do litoral sul são as dos municípios de:

As praias de Piedade e Candeias são densamente habitadas, cercadas por altos edifícios de luxo. A partir de Itapuama, o padrão das praias passa a ser de longas faixas de areia pouco habitadas, onde é praticado pelos nativos pesca e artesanato, e se encontram os diversos hotéis e resorts.

A economia do litoral sul não-urbano é baseado em turismo e artesanato. Em Porto de Galinhas, há diversos restaurantes, bares, lojas de artesanato e de artigos de mergulho, casas de shows, além de dezenas de hotéis e pousadas.

Litoral Norte

O Litoral Norte do Estado é mais densamente habitado do que o litoral sul, quase urbanizado por completo desde a Região Metropolitana do Recife até a fronteira da Paraíba. Tem um dos sítios históricos mais importantes da região, como o município de Olinda e a de Itamaracá, povoada desde 1508. Construções do brasil-colônia, como o Forte Orange, são muito visitados por turistas que passam pela região.

É característica do litoral norte suas formações geográficas mais variadas – ilhas fluviais como Itamaracá, diversos rios e suas desembocaduras, bancos de areia, entre outros. A fauna é variada, destacando-se as aves migratórias que periódicamente chegam à ilha Coroa do Avião e Fernando de Noronha. Ambas as ilhas têm estações de pesquisa ambiental.

Além das praias, também é conhecido por ter o Veneza Water Park, um dos maiores do Brasil, na praia de Maria Farinha.

As principais praias do Litoral Norte são as dos municípios de:

  • Paulista (Maria Farinha, Conceição, Pau Amarelo e Janga)
  • Goiana (Carne de Vaca e Ponta de Pedras)
  • Itamaracá (Itamaracá e Gavoa)
  • Olinda (Rio Doce e Casa Caiada)

Rio de Janeiro

Estado do Rio de Janeiro

SAIBA MAIS…

O Estado do Rio de Janeiro é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Está situado na parte leste da região Sudeste e tem como limites os estados de Minas Gerais (N e NO), Espírito Santo (NE) e São Paulo (SO), como também o Oceano Atlântico (L e S). Ocupa uma área de 43.696,054 km², sendo pouco maior que a Dinamarca. Sua capital é a cidade do Rio de Janeiro. Os naturais do estado do Rio de Janeiro são chamados de fluminenses (do latim flūmen, literalmente “rio”).

Os municípios mais populosos são: Rio de Janeiro, São Gonçalo, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Belford Roxo, Niterói, São João de Meriti, Campos dos Goitacases, Petrópolis, Volta Redonda, Magé, Itaboraí, Mesquita, Nova Friburgo, Barra Mansa e Macaé.

São consideradas cidades importantes no estado devido a forte vocação turística: Paraty, Angra dos Reis, Armação dos Búzios, Rio das Ostras, Cabo Frio entre outras.

O estado é formado por duas regiões morfologicamente distintas: a baixada e o planalto, que se estendem, como faixas paralelas, do litoral para o interior. Paraíba do Sul, Macaé, Guandu, Piraí e Muriaé são os rios principais. O clima é tropical.

O estado é representado na bandeira nacional pela estrela Beta do Cruzeiro do Sul (β = Mimosa).

Geografia

Ver artigo principal: Geografia do Rio de Janeiro

O estado do Rio faz parte do bioma da Mata Atlântica brasileira, tendo em seu relevo montanhas e baixadas localizadas entre a Serra da Mantiqueira e Oceano Atlântico, destacando-se pelas paisagens diversificadas, com escarpas elevadas à beira-mar, restingas, baías, lagunas e florestas tropicais. Fazendo divisa com os estados de Espírito Santo, São Paulo e Minas Gerais, o Rio de Janeiro é um dos menores estados do país e o menor da região Sudeste. O município mais setentrional do estado é Varre-Sai e o mais meridional é a cidade de Paraty.

Possui uma costa com 635 quilômetros de extensão, banhados pelo Oceano Atlântico, sendo superada em tamanho apenas pelas costas da Bahia e Maranhão.

Etnias

O estado do Rio de Janeiro é formado por enorme gama de etnias e povos, principalmente pelo fato de sua capital ter sido capital do Estado brasileiro. Inicialmente a população do estado do Rio de Janeiro foi marcada pela presença de povos indígenas, assim como toda a costa brasileira.

No século XVI, desembargam na região os franceses, que na Baía da Guanabara instalam uma colônia de refugiados religiosos. Logo em seguida os portugueses invadem a região, e na guerra com os franceses, saem vitoriosos, sendo fundada a Cidade do Rio de Janeiro pelo português Estácio de Sá.

Nos séculos seguintes, a população da região é formada basicamente por portugueses e africanos, trazidos à força pelos portugueses na condição de escravos. Até meados do século XIX, a maioria da população fluminense era composta por negros, porém, o número de imigrantes portugueses desembarcados na cidade do Rio passou a crescer repentinamente naquele século, o que fez com que praticamente se igualasse o número de pessoas de origem africana e as de origem portuguesa.

Posteriormente, outros povos contribuíram para a formação da população do estado, como alemães, italianos, suíços, espanhóis, dentre outros, aos quais se somaram os brasileiros de todos os estados, atraídos pela capital do País até a década de 1960, a cidade do Rio de Janeiro.

Os primeiros imigrantes não-portugueses a chegar à região foram os suíços, em 1818, fundando na região das serras a cidade de Nova Friburgo. Pouco mais tarde, começariam a chegar os alemães, que também rumaram para as serras, principalmente para a região de Petrópolis. Italianos e espanhóis chegariam mais tarde, contribuindo também para a diversidade étnica do Rio de Janeiro.

Cor/Raça Porcentagem
Brancos 57%
Pretos e pardos 41%

Fonte: PNAD (dados obtidos por meio de pesquisa de autodeclaração).

Solos

Vista da Lagoa de Marapendi, Barra da Tijuca.

Vista da Lagoa de Marapendi, Barra da Tijuca.

De um modo geral, os solos fluminenses são relativamente pobres. Os solos mais propícios à utilização agrícola encontram-se em Campos dos Goytacazes, Cantagalo, Cordeiro e em alguns municípios do vale do rio Paraíba do Sul.

Existem no estado duas unidades de relevo: a Baixada Fluminense, que corresponde às terras situadas em geral abaixo de 200m de altitude, e o Planalto ou Serra Fluminense, acima de 200 metros.

A Baixada Fluminense acompanha todo o litoral e ocupa cerca de metade da superfície do estado. Apresenta largura variável, bastante estreita entre as baías da Ilha Grande e de Sepetiba, alargando-se progressivamente no sentido leste, até o rio Macacu. Nesse trecho, na capital, erguem-se os maciços da Tijuca e da Pedra Branca, que atingem altitudes um pouco superiores a 1.000 metros. Da baía da Guanabara até Cabo Frio, a baixada volta a estreitar-se numa sucessão de pequenas elevações, de 200 a 500 metros de altura, os chamados maciços litorâneos fluminenses. A partir de Cabo Frio, alarga-se novamente, alcançando suas extensões máximas no delta do rio Paraíba do Sul.

O Planalto ou Serra Fluminense ocupa o interior do estado, por isso está localizado entre a Baixada Fluminense, ao sul e o vale do rio Paraíba do Sul. A elevação da Serra do Mar, ao norte da baixada, forma o seu rebordo. A Serra do Mar recebe diversas denominações locais: serra dos Órgãos, com o Pico Maior de Friburgo (2.316 metros), a Pedra do Sino (2.263 metros) e Pedra-Açu (2.232 metros), das Araras, da Estrela e do Rio Preto. A serra da Mantiqueira cobre o noroeste do estado, ao norte do vale do rio Paraíba do Sul, onde é paralela à Serra do Mar. O ponto mais alto do Rio de Janeiro, pico das Agulhas Negras (2.791 metros) localiza-se no maciço de Itatiaia, que se ergue da serra da Mantiqueira. Para o interior, o planalto vai diminuindo de altitude, até chegar ao vale do rio Paraíba do Sul, onde a média cai para 250 metros. A nordeste, observa-se uma série de morros e colinas de baixas altitudes.

Clima

Vista das praias de Ipanema e Leblon

Vista das praias de Ipanema e Leblon

O estado possui um clima muito variado e com verões quentes a cada ano que passa. Na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, , domina o clima tropical semi-úmido, com chuvas abundantes no verão, que é muito quente e invernos secos, com temperaturas amenas. A temperatura média anual é de 22°C a 24°C e o índice pluviométrico fica entre 1.000 a 1.500 milímetros anuais. Nos pontos mais elevados da região serrana, limite entre a Baixada Fluminense e a Serra Fluminense, observa-se o clima tropical de altitude, mas com verões um pouco quentes e chuvosos e invernos frios e secos. A temperatura média anual é de 16°C. Na maior parte da Serra Fluminense, o clima também é tropical de altitude, mas com verões variando entre quentes e amenos e na maioria das vezes, chuvosos, e invernos frios e secos, com índice pluviométrico elevado, se aproximando dos 2.500mm anuais em alguns pontos.Nas Baixadas Litorâneas, a famosa Região dos Lagos, o clima é tropical marítimo, com média anual de cerca de 24°C com verões moderadamente quentes, mas amenizados devido ao vento do mar e invernos amenos.Também é devido ao vento frio trazido pela Corrente das Malvinas vindo do mar que esta região é uma das mais secas do Sudeste, com precipitação anual de apenas cerca de 750mm em cidades como Arraial do Cabo, Cabo Frio e Armação dos Búzios, e não passando de cerca de 1.100mm nas cidades mais chuvosas da região, Maricá e Saquarema.

Ocasionalmente, podem ocorrer precipitações de neve nas partes altas do Parque Nacional do Itatiaia, onde está situado o Pico das Agulhas Negras. Em 1985, foi registrada uma abundante nevada nas proximidades deste pico, com acumulações de 1 metro em certos pontos.[1] A neve no Parque Nacional do Itatiaia também foi registrada nos anos de 1976, 1988, 1994, 1999 e 2004.[2] [3]

Vegetação

Devido à ocupação agropastoril, o desmatamento modificou sensivelmente a vegetação original do estado. Atualmente, as florestas ocupam um décimo do território fluminense, concentrando-se principalmente nas partes mais altas das serras. Há grandes extensões de campos produzidos pela destruição, próprios para a pecuária, e, no litoral e no fundo das baías, registra-se a presença de manguezais (conjunto de árvores chamadas mangues, que crescem em terrenos lamacentos).

Hidrografia

O rio Paraíba do Sul é o principal rio do estado. Nasce em Taubaté e desemboca no Oceano Atlântico — como a maior parte dos rios fluminenses —, na altura de São João da Barra. Seus principais afluentes, no estado, são o Paraibuna, Pomba e o Muriaé, pela margem esquerda, o Piabinha e o Piraí pela margem direita. Além do Paraíba do Sul, destacam-se. de norte para sul, os rios Itabapoana, que marca fronteira com o Espírito Santo, o Macabu, que deságua na lagoa Feia, o Macaé, o São João, o rio Macacu, o Majé e o Guandu.

Ver artigo principal: Lista de rios do Rio de Janeiro

O litoral fluminense é pontilhado por numerosas lagoas, antigas baías fechadas por cordões de areia. As mais importantes são as lagoas Feia, a maior do estado, Araruama, Saquarema, Maricá, Marapendi, Jacarepaguá e Rodrigo de Freitas, as três últimas no município do Rio de Janeiro.

Litoral

O litoral do Rio de Janeiro é extremamente recortado. Os principais acidentes são a baía da Ilha Grande, a Ilha Grande, a restinga da Marambaia, a baía de Sepetiba e a baía de Guanabara. Há um total de 365 ilhas espalhadas pela costa somente na cidade de Angra dos Reis e 65 na baía de Paraty.

Praia Vermelha e Copacabana - litoral da capital fluminense

Praia Vermelha e Copacabana – litoral da capital fluminense

Economia

Grande parte da economia do estado do Rio de Janeiro se baseia na prestação de serviços, tendo ainda uma parte significativa de indústria e pouca influência no setor de agropecuária.

62,1% em representação do seu PIB representam a prestação de serviços em áreas como telecomunicações, audiovisual, tecnologia da informação – TI, turismo, turismo de negócios, ecoturismo seguros e comércio. A cidade do Rio de Janeiro é sede da maior parte das operadoras de telefonia do país, como TIM, Oi, Telemar, Embratel, Intelig e Vésper. No setor de vendas em varejo o estado também ocupa posição de destaque. No Rio de Janeiro estão as sedes de grandes cadeias como Lojas Americanas – e, por conseguinte, de empresas por ela controladas como Blockbuster, Americanas.com e Submarino.com -, Ponto Frio e Casa e Video.

Em seguida, com 37,5% do PIB vem a indústria – metalúrgica, siderúrgica, gás-química, petroquímica, naval, automobilistica, audiovisual, cimenteira, alimentícia, mecânica, editorial, têxtil, gráfica, de papel e celulose, de extração mineral, extração e refino de petróleo. A indústria química e farmacêutica também ocupa papel de destaque na economia fluminense. Segundo dados da Associação Comercial do Rio de Janeiro, dos 250 laboratórios existentes no país, 80 operam no estado, com destaque para Merck, Glaxo, Roche, Arrow, Barrenne, Casa Granado, Darrow Laboratórios, Gross, Baxter, Schering-Plough, Musa, Daudt, Lundbeck, Mayne e Mappel. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no bairro de Manguinhos, é o maior laboratório público da América Latina e um dos maiores do mundo e ocupa posição de destaque na pesquisa de remédios para diversas moléstias. A Ceras Johnson, fabricante de inúmeros produtos de limpeza e desintetizantes também tem sede no Rio de Janeiro.

Praia de Copacabana

Praia de Copacabana

No setor de petróleo, estão sediadas no Rio de Janeiro as maiores empresas do país, incluindo a maior companhia brasileira, a Petrobras. Além dela, Shell, Esso, Ipiranga e El Paso mantêm suas sedes e centros de pesquisa no estado. Juntas, todas estas empresas produzem mais de 4/5 dos combustíveis distribuídos nos postos de serviço do País. O Governo do estado monitora a produção de petróleo e gás através do CIPEG.

Finalmente, respondendo por apenas 0,4% do PIB fluminense, a agropecuária é apoiada quase integralmente na produção de hortaliças da Região Serrana e do Norte Fluminense. No passado, cana-de-açúcar e, depois, o café já tiveram considerável impacto na economia fluminense.

O estado do Rio de Janeiro é a segunda maior economia do Brasil, perdendo apenas para São Paulo, e a quarta da América do Sul, tendo um Produto Interno Bruto superior ao do Chile, com uma participação no PIB nacional de 15,8% (2005 – Fundação CIDE e IBGE) e com a segunda renda per capita brasileira, perdendo apenas para o Distrito Federal.

Sua capital é freqüentemente associada à produção audio-visual. Segundo dados do Ministério da Cultura, cerca de 80% das produtoras cinematográficas do país têm sede no Rio de Janeiro, e é da mesma proporção a produção de filmes do estado em relação ao total nacional. O Rio é sede da Delart, maior empresa de tradução e dublagem do Brasil, e berço e quartel-general das Organizações Globo, maior conglomerado de empresas de comunicações e produção cultural da América Latina. Nominalmente, estão na cidade as sedes da Rede Globo de Televisão, da Globosat, maior empresa de televisão geradora de conteúdo por assinatura do país, da Rádio Globo e do jornal O Globo, primeira empresa da holding.

Recentemente, por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a cidade do Rio foi escolhida como cabeça de rede da TV Brasil, a emissora estatal que surgirá pela fusão da Radiobrás, de Brasília, com a Rede Brasil (TVE Brasil), já sediada na capital fluminense.

Cultura e Educação

O estado do Rio de Janeiro, possui o maior nível de educação no Brasil[carece de fontes?]. Apesar da precariedade, os estudos mostram que a nível nacional, escolas públicas fluminenses possuíram bons índices de aproveitamento no último censo[carece de fontes?].

O estado possui um bom número de universidades federais do Brasil, sendo elas: Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ (maior universidade federal do país), Universidade Federal Fluminense – UFF, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – UFRRJ e Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UniRio. As demais, Universidade Estadual do Rio de Janeiro – UERJ, Universidade Estadual do Norte Fluminense – UENF também possuem também grande destaque, e são mantidas pelo governo fluminense.

A força cultural do estado está espelhada principalmente na capital, a cidade do Rio de Janeiro, que pode ser considerada também a “capital cultural do Brasil”. O município de Niterói, nos últimos anos começou uma grande revolução nesse setor quando houve a inauguração do Museu de Arte Contemporânea da Cidade (Obra de Oscar Niemeyer) e em breve a inauguração do Caminho Niemeyer, projeto do mesmo arquiteto do MAC, que contará com teatro, cinemas, museu, igrejas e um centro de memória.

O estado do Rio de Janeiro ainda é responsável por quase 70% da produção audiovisual do País. Possuindo a capital, também, cerca de 180 salas de cinema, maior proporção do país entre as capitais, maior proporção também de museus, são 80 no total e 43 Teatros.

Entre os principais museus do Estado estão o Museu Imperial de Petrópolis, Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), o Museu Histórico Nacional, o Museu Histórico da República, o Museu Chácara do Céu, o Museu de Arte Moderna (MAM), o Museu da Quinta da Boa Vista, o Museu de Arte Contemporânea (MAC) e o do Forte de Copacabana – Museu Histórico do Exército.

História

Ver artigo principal: História do Rio de Janeiro

Capitania Real e capital do vice-reino

Batalha na baa de Guanabara entre franceses e portugueses, em 15 de março de 1560, que culminou com a destruição do Forte Coligny.

Batalha na baía de Guanabara entre franceses e portugueses, em 15 de março de 1560, que culminou com a destruição do Forte Coligny.

À época do estabelecimento do sistema de Capitanias Hereditárias no Brasil, o território do atual estado do Rio de Janeiro encontrava-se compreendido em trechos da Capitania de São Tomé e da São Vicente.

Não tendo sido colonizado pelos portugueses, em virtude da hostilidade dos indígenas estabelecidos neste litoral, entre 1555 e 1567, a baía de Guanabara foi ocupada por um grupo de colonos franceses, sob o comando de Nicolas Durand de Villegagnon, que aqui pretendiam instalar uma colônia de povoamento, a chamada “França Antártica”.

Ver artigo principal: França Antártica

Visando evitar esta ocupação, assegurando a posse do território para a Coroa Portuguesa, em 1 de março de 1565, foi fundada a cidade do Rio de Janeiro, por Estácio de Sá, vindo a constituir-se, por conquista, a Capitania Real do Rio de Janeiro.

Século XVII

No século XVII, a pecuária e a lavoura de cana-de-açúcar impulsionaram o progresso, definitivamente assegurado quando o porto começou a exportar o ouro extraído de Minas Gerais, no século XVIII. Entre 1583 e 1623 a área de maior destaque de produção de açúcar, no sul do Brasil, se deslocou de São Vicente para o Rio de Janeiro, na região da baía de Guanabara. Se, em 1629 havia 60 engenhos em produção no Rio de Janeiro, em 1639 já havia 110 engenhos e o Rio de Janeiro passou a fornecer açúcar a Lisboa, devido à tomada de Pernambuco durante as Invasões holandesas do Brasil. Ao final do século havia 120 engenhos na região.

Com a Restauração da Independência Portuguesa, em 1640, os comerciantes e donos de embarcações receberam permissão de comerciar diretamente com a África, a partir do porto do Rio de Janeiro, visando complementarmente ao tráfico de escravos para o Rio da Prata. Tal comércio foi bastante impactado pela tomada de Angola pelos holandeses, na mesma época. A utilização de escravos indígenas foi ampliada, mas os comerciantes e proprietários tiveram que se indispor com os jesuítas por causa das proibições papais relativas à escravização dos índios.

A Carta Régia de 6 de junho de 1647, passada pela Chancelaria de D. João III, outorgou o título de “a muy leal cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro” o que lhe assegurava os mesmos privilégios de cidades como Lisboa ou o Porto, na metrópole.

O cultivo do açúcar foi incrementado e com isto aumentou-se a necessidade de escravos, mas a situação foi resolvida com a retomada de Angola em 1648, trazendo tranquilidade às relações com os jesuítas. Apesar disso, os preços do açúcar flutuavam constantemente e sofreram baixas entre 1635 e 1645, com a conquista de Pernambuco pelos holandeses e entre 1659 e 1668, devido à proibição de fabricação e venda de aguardente, usada no comércio com a África, e também com a Revolta Municipal – na cidade do Rio – de 1660 contra a verdadeira dinastia de Salvador Correia de Sá e Benevides.

Outro produto importante de exportação era o tabaco, em proporção menor que a Bahia e Pernambuco. A pesca da baleia na Guanabara era um setor econômico importante e em 1644 a municipalidade do Rio criou um imposto sobre esta indústria.

Com Salvador Correia de Sá e Benavides, o Rio adquiriu uma importante manufatura da construção naval, que chegou a construir o «Padre Eterno» com seus 114 canhões, mas o setor não se manteve e decaiu por falta de mão-de-obra. O porto, no início somente militar, passou a porto do açúcar e importador de escravos. A cabotagem aumentou a partir de 1660 incluindo o comércio legal com as outras Capitanias e o comércio ilegal com Buenos Aires, que enriqueceu um grupo de comerciantes.

Em 1645, com ataques holandeses aos barcos mercantes, foi criado o Sistema de Frotas único para o Brasil, que se fazia uma vez por ano, com forte escolta de barcos de guerra. Embarcações de particulares podiam se juntar à frota, mas havia restrições quanto à participação a barcos grandes, o que afastava muitos proprietários de navios. Havia ainda o problema da carestia dos fretes. Portugal, como necessitava de dinheiro, de soldados e de barcos para a luta contra os holandeses no Nordeste e em Angola, cedeu às exigências e incluiu a participação de barcos menores. A frota chegava a Lisboa, depois de percorrer diversos portos brasileiros, com um número de 70 a 90 embarcações.

Um problema constante no Rio era a falta de moeda, crítica em 1640, com o fim da União Ibérica. Mas a descoberta de ouro na região das Minas Gerais e a criação de uma Casa da Moeda no Rio, em 1698, veio solucionar o problema.

Desde 1649 fora criada a Companhia Geral de Comércio do Brasil, que não dispunha de capital suficiente e, quando tinha, era desviado para atividades militares. A Companhia tinha o monopólio da venda de vinho, bacalhau, farinha de trigo e azeite no Brasil. Em 1659 a Companhia perdeu o monopólio que impedia a fabricação e venda de aguardente e em 1720 seria extinta.

Século XVIII

Em 1763, o Rio de Janeiro se tornou a sede do Vice-reino do Brasil e a capital da colônia.

Com a mudança da família real para o Brasil, em 1808, também na época da tomada da Península Ibérica por Napoleão, a região foi muito beneficiada com reformas urbanas para abrigar a Corte portuguesa. Dentro das mudanças promovidas destacam-se: a transferência de órgãos de administração pública e justiça, a criação de novas igrejas, hospitais, quartéis, fundação do primeiro banco do país – o Banco do Brasil – e a Imprensa Régia, com a Gazeta do Rio de Janeiro.Nos anos seguintes também surgiram o Jardim Botânico, a Biblioteca Real (hoje Biblioteca Nacional) e a Academia Real Militar, antecessora da atual Academia Militar das Agulhas Negras.

Assim, ocorreu um processo de introdução cultural, influenciada não somente pelas informações trazidas pela chegada da Família Real, mas também pela presença de artistas europeus que foram contratados para registrar a sociedade e natureza brasileira. Nessa mesma época, nasceu a Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios.

Criação do Município Neutro

Após a transferência da Corte portuguesa para a cidade do Rio de Janeiro, a autonomia, que a província tanto aspirava, não foi alcançada da mesma forma que as demais, já que ao ministro do Reino, cargo que foi praticamente um substituto para o de Vice-Rei com relação ao Rio de Janeiro, era confiada a sua administração.

Aliado a isto, estava o fato de que a cidade do Rio era a capital do Império, o que fazia com que o ministro administrasse a província inteira por meio de “avisos”, os quais dirigia às Câmaras Municipais de cidades que, naquela época, cresciam à passos largos devido à ampliação e fortalecimento da lavoura cafeeira no Vale do Paraíba, que já sobrepujava à força da lavoura canavieira na região Norte Fluminense.

Estas diferenças que haviam com relação as demais unidades administrativas do Brasil fez com que no ano de 1834 a cidade do Rio fosse transformada em Município Neutro, permanecendo como capital do país, enquanto a província passou a ter a mesma organização político-administrativa das demais, tendo sua capital na Vila Real da Praia Grande, que no ano seguinte passou a se chamar Niterói.

Já a cidade do Rio passou a ter uma Câmara Municipal, que cuidaria da vida daquela cidade sem interferência do presidente de província, e em 1889, após a implantação da República, a mesma continuou como capital nacional, sendo o Município Neutro transformado em Distrito Federal e a província em estado. Com a mudança da capital para Brasília em 1960, o município do Rio de Janeiro tornou-se o estado da Guanabara.

Ascensão e queda do poder cafeeiro

A despeito da grande rotatividade ocorrida no poder da província fluminense logo após a criação do Município Neutro (que lhe deu 85 governantes até o fim do Império), a expansão da lavoura cafeeira trouxe prosperidade nunca antes alcançada nesta região.

Tanto com o surgimento de novos centros urbanos pela província, quanto pelo explendor exibido nas fazendas dos “barões do café” via-se a prosperidade trazida pelo “Ouro Verde”, que também trouxe desenvolvimento da educação, notado pela construção de várias escolas por todas as cidades.

Com isso convivia, porém, o trabalho escravo, base de sustentação da sociedade cafeeira fluminense e que crescia sem parar à medida que as lavouras se ampliavam pelo Vale do Paraíba. Nesse período, a província se tornou a mais rica e poderosa no país e sua principal exportadora.

Essa situação perdurou até por volta de 1888. Com a abolição da escravatura, a aristocracia fluminense se empobrece, já que não tem mais sua mão-de-obra e ainda vê a exaustão do solo e a redução das safras colhidas ano após ano.

O Estado do Rio e a Primeira República

A decadência foi a tônica na província nos últimos dias do regime imperial. Na luta pela República, vários foram os fluminenses que se distinguiram, cabendo citar Antônio da Silva Jardim, Lopes Trovão, Rangel Pestana, entre outros. Também forte foi a presença na campanha abolicionista.

Com a proclamação da República, logo ocorreram problemas políticos que foram, com o tempo, lhe retirando a grandeza e o destaque conseguidos durante o Império.

Cidade do Rio de Janeiro em 1895

Cidade do Rio de Janeiro em 1895

Após a aprovação da sua primeira Constituição estadual, em 9 de abril de 1892, a capital foi transferida para a cidade de Petrópolis, devido às agitações que ocorreram durante o governo do Marechal Floriano Peixoto nas cidades do Rio e de Niterói, e também à Revolta da Armada, ocorrida naquela época.

Após diversos anos em que lutas políticas fizeram o Estado perder o rumo administrativo, fato comprovado pela dualidade de Assembléias Legislativas por três períodos, estas fazem aumentar ainda mais a crise econômica fluminense, que se arrasta de tal maneira a transformar, gradualmente, suas plantações de café em pastagens para a pecuária e a fazer com que o mesmo não acompanhe o desenvolvimento industrial experimentado por São Paulo.

A Revolução de 30 e o Estado Novo

Com a chegada de Getúlio Vargas ao poder, vários interventores foram nomeados, o que não alterou o quadro sócio-econômico fluminense até que, em 1937, é nomeado Ernani do Amaral Peixoto, genro de Vargas (este casou-se com Alzira Vargas em 1939) e que pôde realizar muito pelo estado, dando incentivo ao seu desenvolvimento industrial, com a construção, da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) em Volta Redonda, no Vale do Paraíba fluminense e da Fábrica Nacional de Motores (FNM), em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, bem como a expansão da malha rodoviária estadual.

Amaral Peixoto ainda mobilizou a população fluminense no esforço de guerra, que resultou na aquisição, com os recursos arrecadados, de um novo navio para a Marinha de Guerra brasileira.

Data desse período, também, a formação de várias instituições de ensino superior e centros de estudo sobre a cultura e história fluminenses, que procuravam resgatar a memória e construir uma identidade para a população do estado, esvaziado econômica e politicamente desde o fim do Segundo Império.

A redemocratização e o Golpe de 1964

Com a queda de Vargas, Amaral Peixoto foi afastado do comando do Estado e cinco interventores sucederam-se no governo fluminense até a eleição, em 1947 de Edmundo de Macedo Soares e Silva, construtor da usina de Volta Redonda, que reorganizou a administração e as finanças estaduais, bem como continuou o incentivo à industrialização e à produção agropecuária.

Foi sucedido, entretanto, por Amaral Peixoto, que dá nova força à expansão industrial e rodoviária, datando desse período a criação da Companhia Nacional de Álcalis.

Até o ano de 1964, os governos estaduais procuram dinamizar a economia fluminense, reformando a estrutura do estado, organizando sua educação superior (cria-se em 1960 a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, posteriormente Universidade Federal Fluminense), melhorando a infra-estrutura elétrica (é desse período a criação das Centrais Elétricas Fluminenses, posteriormente CERJ) e dando nova feição à cidade de Niterói.

Após o Golpe de 1964, o governador Badger da Silveira, recém-eleito em 1963, é afastado do cargo, sendo substituído pelo General Paulo Torres que trata de criar a Companhia de Desenvolvimento do Estado do Rio de Janeiro.

Segue-se a ele Jeremias Fontes e Raimundo Padilha, que seria o último governador do Estado do Rio antes da fusão com o da Guanabara, datando do seu governo a conclusão da Ponte Rio-Niterói e o início da construção da usina nuclear de Angra dos Reis.

O novo Estado do Rio

Após a edição da Lei Complementar nº20 em 1974, assinada pelo presidente Ernesto Geisel, fundiram-se os estados da Guanabara e do Rio de Janeiro em 15 de março de 1975. A capital do novo Estado (que manteve o nome de Rio de Janeiro) passou a ser a cidade do Rio de Janeiro, voltando-se a situação político-territorial anterior a 1834, ano da criação do Município Neutro. Foram mantidos ainda os símbolos do antigo Estado do Rio, enquanto os símbolos da Guanabara passaram a ser os símbolos do município do Rio.

Alguns alegam que a motivação por trás do presidente Geisel para a fusão foi neutralizar a força oposicionista do MDB no Estado da Guanabara. O antigo Estado do Rio de Janeiro, tradicionalmente foi considerado um pólo de conservadorismo, vide governos sucessivos do PSD e posteriormente da ARENA, apesar da grande força do PTB (que elegeu os dois últimos governadores antes de 1964), e depois do MDB nessa região, o que levou à errônea conclusão que esta viria a neutralizar a oposição emedebista guanabarina, evitando maiores problemas para o governo militar, que acaba por indicar como primeiro governador do “novo” Estado o almirante Floriano Peixoto Faria Lima.

Apesar de Faria Lima assumir o estado com promessas do governo federal de maciços investimentos, a fim de compensar os problemas que poderiam advir da fusão, esses não se concretizaram plenamente, mesmo com a implantação das usinas nucleares em Angra dos Reis e a expansão da Companhia Siderúrgica Nacional, o que acarretou problemas que viriam a ser sentidos, principalmente nas áreas de habitação, educação, saúde e segurança partir da década de 1980.

Com a abertura política e a volta das eleições diretas para governador, os fluminenses elegem no ano de 1982 Leonel de Moura Brizola (PDT), exilado político desde 1964 que voltava ao Brasil com a bandeira do trabalhismo varguista, o que conquistou o eleitorado insatisfeito com o segundo governo de Chagas Freitas.

Brizola angaria nesse primeiro mandato a antipatia do eleitorado conservador devido as suas políticas de amparo às comunidades carentes, encaradas como de cunho populista. No seu primeiro governo, Brizola constrói o Sambódromo e dá início aos Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs), escolas projetadas por Oscar Niemeyer e idealizadas pelo professor Darcy Ribeiro para funcionarem em tempo integral. A crescente crise na área da segurança pública e os desgastantes atritos com as Organizações Globo acabaram por impedir que ele fizesse seu sucessor.

Nas eleições de 1986, Moreira Franco é eleito governador pelo PMDB numa ampla aliança antibrizolista que ia do PFL ao PC do B. Moreira teve a ajuda do Plano Cruzado, plano econômico lançado no governo do presidente José Sarney que visava o controle da inflação e que malogrou ante a acusação, por parte da oposição, de ter sido eleitoreiro. A decepção com o governo Moreira Franco, que não cumpriu a promessa de acabar com a violência em seis meses, levou o eleitorado fluminense a eleger Leonel Brizola novamente, em 1990.

Em seu segundo mandato Brizola conclui os CIEPs, constrói a Linha Vermelha, a Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), amplia o sistema de abastecimento hídrico do Guandú e dá início ao Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG). Porém os problemas crônicos na área de segurança bem como nas contas públicas estaduais, fazem o Estado sofrer uma “intervenção branca” do governo federal no ano de 1992, durante a conferência mundial sobre ecologia ECO-92, e também no ano de 1994. A utilização de tropas das Forças Armadas no patrulhamento das ruas da capital é amplamente apoiada pela população.

Em meio a esses problemas, Brizola renuncia ao mandato a fim de concorrer às eleições presidenciais. O governo estadual é assumido pelo seu vice Nilo Batista que após 8 meses passa o comando para Marcello Alencar, eleito pelo PSDB em 1994 graças ao bom desempenho de sua passagem pela prefeitura da cidade do Rio e ao sucesso Plano Real. Marcello retoma as obras do Metrô paralisadas desde a gestão Moreira Franco, constrói a Via Light e implementa uma política de segurança pública mais voltada ao confronto armado, o que acaba por gerar antipatia da população de baixa renda, mais exposta aos enfrentamentos entre a polícia e bandidos.

Na eleição seguinte, Anthony Garotinho, apadrinhado à época por Brizola e que anteriormente havia perdido a eleição para Alencar, é eleito governador pelo PDT, apoiado por uma aliança de esquerda que inclui como vice na chapa a então senadora Benedita da Silva, do PT, que o substitui em 2002 quando ele também renuncia, como Brizola, visando a corrida presidencial. Benedita assume em meio a problemas de ordem fiscal que acabam por impedí-la de se reeleger, sendo derrotada por Rosinha Garotinho, esposa de Anthony Garotinho, que procura, após eleita, manter o estilo por vezes controvertido de governar de seu marido, enfrentando ainda duras críticas com relação à situação da segurança pública.

Jockey Clube Brasileiro (ao fundo)

Jockey Clube Brasileiro (ao fundo)

Nas eleições de 2006 o eleitorado fluminense elegeu Sérgio Cabral Filho como o novo governador. A vitória ocorreu no segundo turno após vencer a ex-juíza Denise Frossard, apoiada por Cesar Maia. Apesar de pertencer ao mesmo partido de Garotinho e Rosinha (PMDB) Cabral vem dissociando, desde a campanha, sua imagem da do casal. A aproximação com o presidente Lula, a nomeação de Benedita da Silva e Joaquim Levy para o seu secretariado e a extinção de projetos como o Cheque-Cidadão e Jovens pela Paz (considerados como marcas registradas do período Garotinho/Rosinha) foram atitudes tomadas por Cabral que sinalizam este distanciamento.